
Ilca Maria EstevãoColunas

Dario Vitale deixa a Versace após estreia criticada e venda para Prada
A saída de Vitale reflete o choque entre a nova estratégia da Prada e a herança maximalista da Versace, agora presidida por Lorenzo Bertelli
atualizado
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Após apenas nove meses à frente da Versace, o designer Dario Vitale deixou a direção criativa da grife. A saída do italiano ocorre dois dias depois da oficialização de compra da marca pelo Grupo Prada, em um acordo avaliado em cerca de US$ 1,4 bilhão (quase R$ 8 bilhões). Antes da movimentação, o desfile de estreia do designer foi alvo de críticas dos fashionistas apegados ao trabalho de Donatella.
Vem entender!

Nova fase da grife
A saída repentina de Vitale surpreendeu o mercado, sobretudo porque seu nome havia sido escolhido justamente para inaugurar uma nova fase da Versace sob um olhar mais alinhado com esse novo estilo da marca. No anúncio de sua chegada, a antecessora, Donatella Versace, havia afirmado: “Estou empolgada com a chegada de Dario Vitale e ansiosa para ver a Versace através de novos olhos”.

Nos bastidores, porém, já se comentava que o designer enfrentava dificuldades para conciliar a herança maximalista da marca com a expectativa de modernização que deveria acontecer com os novos rumos do luxo italiano. Sua demissão, anunciada de forma abrupta, sugere que a Prada tem uma nova estratégia de liderança para colocar alguém de confiança no comando da Versace. Com a compra, a grife passou a ser presidida por Lorenzo Bertelli, ex-piloto de rali e filho de Miuccia Prada.

Estreia dividiu opiniões
O desfile de estreia de Dario Vitale aconteceu em meio às negociações da compra pela Prada, no mês de setembro. Na apresentação, o designer resgatou referências das coleções de Gianni Versace do fim dos anos 1980 e início dos 1990. Apesar de fazer um trabalho digno da grandeza que o fundador da marca construiu na moda, o público que esperava um trabalho mais conectado ao de Donatella criticou a apresentação, realizada no museu Pinacoteca Ambrosiana.
Críticas apontaram semelhanças da coleção com a estética da Miu Miu, na qual Vitale trabalhou por mais de uma década. A comparação faz sentido agora, já que a marca é subsidiária do grupo Prada, que acaba de comprar a Versace. Em uma análise visual e também de negócios, o début do estilista soa como um aceno à estética de Gianni reinterpretada pelo olhar contemporâneo de Miuccia Prada. Pelo visto, a homenagem não foi suficiente para garantir a vaga.
Confira os looks do desfile:
Compra da Versace
A marca homônima fundada por Gianni Versace, assassinado em 1997, ganhou um novo capítulo na moda italiana ao ser adquirida pela Prada, outra gigante do mercado de luxo. Em negociações com a Capri Holdings, a grife chefiada por Miuccia Prada pagou US$ 1,45 bilhão (quase R$ 8 bilhões) na movimentação.
Com a aquisição da Versace, o grupo Prada se aproxima como concorrente de conglomerados como LVMH (que comanda Louis Vuitton, Dior, Fendi e Givenchy) e Kering (Gucci, Kering, Saint Laurent e Bottega Veneta, entre outros). Ao mesmo tempo, a marca passou a ser presidida por Lorenzo Bertelli, ex-piloto de rali e filho de Miuccia Prada.
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