
Ilca Maria EstevãoColunas

Com memes e bom humor, marca cubana acusa Zara de plágio
Clientes da Clandestina notaram uma semelhança entre uma peça da rede varejista e as camisetas mais vendidas da label
atualizado
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A marca cubana Clandestina, criada em 2015 pela estilista Idania del Rio, faz sucesso por suas camisetas com a seguinte frase: “Actually, I’m in Havana” (Na verdade, estou em Havana). Recentemente, clientes da designer notaram peças bem similares em lojas da Zara, distribuídas em diversos outros países. Nas camisetas da rede de departamento espanhola, a estampa diz “Mentally I am in Havana” (Mentalmente, estou em Havana). Essa é a mais semelhante entre outras frases de peças da gigante do mercado fashion que seriam cópias do trabalho da label caribenha.
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A Clandestina é a primeira marca de moda urbana de Cuba, segundo seu site oficial. Formada por um coletivo de artistas e designers, foi cofundada por Leire Fernández. Apesar de ser bem mais recente e consideravelmente menor, essa não é a primeira vez que a etiqueta denuncia a “inspiração” da gigante varejista.
Uma camiseta em que está escrito “Se acabó el drama” (O drama acabou) teria sido copiada em outra, com a frase “Delete the drama” (Delete o drama). Já os itens da coleção Pais en Construccion (País em Construção) seriam os originais copiados pela Zara com o dizer “Under Construction” (Sob Construção). Neste último, até as letras amarelas com fundo preto são similares.
O descontentamento levou a label a publicar um vídeo no dia 18 de agosto, nas redes sociais, levantando a campanha “Zara, tú tienes que parar” (Zara, você tem que parar). “É uma pena que uma empresa tão grande tenha de fazer isso, copiar pessoas muito menores em todos os sentidos”, alega Idania.
Félix Manuel González, que faz parte da equipe de marketing, apontou ser comum grandes empresas “roubarem descaradamente” o trabalho das menores. No fim das contas, acabam vendendo por estarem mais bem posicionadas. De acordo com a agência EFE, a marca vai produzir camisetas com a frase “Actually, Zarita tienes que parar” (Na verdade, Zarinha tem que parar).



https://www.instagram.com/p/B1UApT8Bin7/
https://www.instagram.com/p/B1WiVCrhFLC/
À imprensa internacional, Idania declarou que o primeiro exemplo é o mais evidente: “O nosso ‘Na verdade, estou em Havana’ é a peça mais vendida, algo que liga muito a Clandestina ao público”.
Sem condições de custear um processo contra a rede de departamentos, a marca aposta no bom humor e na campanha das redes sociais. Assim, espera chamar atenção, à medida que compartilha memes sobre toda a situação. A Zara não se manifestou sobre as acusações.




Com uma loja localizada na capital cubana, a Clandestina supera a escassez de insumos com estratégias como upcycling e readaptação de roupas. Desde 2017, tem presença internacional no e-commerce e em estabelecimentos estrangeiros.




Quarenta anos mais velha que a Clandestina, a Zara pertence ao conglomerado têxtil Inditex. A rede espanhola tem cerca de 2.250 lojas espalhadas pelo mundo, mas nenhuma delas em Cuba. Segundo a agência AFP, ela chegou a ter uma unidade aberta por algumas semanas, em 2009, por meio de um “acordo com uma empresa estatal com intermediários”. Depois, foi fechada de maneira permanente.
No ano passado, a marca foi condenada por violação de propriedade intelectual pela Justiça da Itália. Além de ser obrigada a retirar das lojas os dois modelos com design plagiado, teve de pagar 235 euros por cada unidade em circulação. Esta é só uma entre outras controvérsias judiciais. Em vários países, já enfrentou problemas relacionados a questões trabalhistas, incluindo trabalho análogo ao escravo.
Colaborou Hebert Madeira
