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Ilca Maria Estevão

Colaborações entre marcas e famosos podem ser arriscadas? Entenda

Colaborações entre marcas e famosos é uma estratégia de marketing que pode ser tanto eficaz quanto arriscada; veja exemplos

12/02/2025 02:00
Brooke/Getty Images for Kanye West Yeezy
A imagem em cores mostra o artista Kanye west em frente diversos modelos vestidos com roupas em tons neutros

No mundo da moda, é comum que grandes marcas lancem colaborações com artistas e celebridades em diversos tipos de produtos a fim de atrair e fidelizar o público. Contudo, diante de alguns casos polêmicos e demandas específicas do mercado, parece que algumas etiquetas tem pensado duas vezes antes de fechar parcerias com famosos.

Vem entender!

  • Embora tenha sido um sucesso durante muitos anos, a colaboração entre Kanye West e Adidas foi encerrada em 2023 devido aos comentários polêmicos do artista;
  • Bella Hadid foi cortada da campanha com a gigante alemã por se posicionar sobre o conflito armado entre Israel e Palestina;
  • Grace Wales Bonner, por sua vez, é um exemplo de colaboração com estilistas que tiveram boa repercussão e qualidade alinhados.
Theo Wargo/Getty Images for adidasA imagem mostra o artista Kanye West em frente diversos modelos
As colaborações entre Kanye West e Adidas tiveram início em 2015

Os perigos das colaborações

A primeira razão para as colaborações serem vistas como algo negativo seria o fato de que lidar com personalidades corresponde a assumir um risco. A repercussão de depoimentos e opiniões das celebridades tende a influenciar diretamente na venda dos produtos, o que costuma ser um problema para as empresas — que, por sua vez, saem no prejuízo por terem se vinculado a essas personas.

Um exemplo é o da Adidas, que reportou, em 2023, ter perdido cerca US$ 540 milhões em produtos não vendidos após as polêmicas declarações antissemitas de Kanye West. A marca também precisou cancelar uma campanha com a modelo de descendência palestina, Bella Hadid, diante de seu posicionamento sobre a guerra entre Israel e Palestina, duramente criticado pelos consumidores e imprensa.

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Adidas/DivulgaçãoNa imagem com cor, foto da modelo Bella Hadid para campanha da Adidas - metrópoles
Bella Hadid é uma das modelos mais prestigiadas no globo

Outro fator seria o reconhecimento das celebridades como proprietárias dos produtos ofertados. No caso da moda, as marcas contratam estilistas para desenvolver as peças, mas alguns consumidores e os próprios designers argumentam que seria mais interessante dar o reconhecimento aos desenvolvedores em vez dos artistas, que, por vezes, somente cedem uma assinatura.

Nos últimos anos, temos visto cada vez mais designers tomando holofotes e sendo reconhecidos como nomes fortes o suficiente para colaborarem com as empresas. A designer britânica Grace Wales Bonner, por exemplo, trouxe para a Adidas um dos maiores sucessos de 2024, recriando o sneaker Samba em animal print.

Dar evidência para estes artistas é uma — se não a melhor — forma de valorizar os criadores e fomentar a indústria para que sejam apresentadas novas propostas na moda. Colaborações diretas com estilistas para produtos além das passarelas possibilitam que os consumidores tenham alternativas para fugir dos padrões genéricos comercializados.

Adidas/DivulgaçãoA imagem mostra um par de tênis com estampa de leopardo em um fundo branco.
A parceria entre Adidas e Wales Bonner foi um sucesso de vendas

De fato, o mercado de moda não vai parar de se relacionar com nomes famosos. Existem, sim, celebridades que são engajadas e têm propostas boas para a indústria, como as Gêmeas Olsen, proprietárias da grife The Row, consideradas precursoras do quiet luxury; e Pharrell Williams que, apesar de algumas críticas, entrega bons resultados para a Louis Vuitton.