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Chiara Ferragni: o que levou a pioneira a enfrentar pedido de prisão
Entenda a polêmica que levou uma das principais influenciadoras de moda a ser acusada de desvio de dinheiro e propaganda enganosa
atualizado
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Chiara Ferragni, pioneira da influência de moda na web, vem enfrentando acusações de desvio de dinheiro e propaganda enganosa ao consumidor desde 2023. Recentemente, o Ministério Público de Milão pediu a condenação de 1 ano e 8 meses de prisão para a influenciadora e empresária italiana. A polêmica gira em torno de ações de marketing realizadas por Chiara em 2021 e 2022, envolvendo a arrecadação de doações monetárias destinadas a instituições de caridade.
Vem entender!

Pioneira da moda no digital
A influenciadora e empresária italiana ganhou destaque em 2009 ao criar o blog The Blonde Salad. Seu olhar sobre moda e lifestyle se tornou referência na interseção entre o universo fashion e a internet, especialmente por consolidar uma presença digital durante a época em que esse tipo de conteúdo estava tomando forma.



O que impulsionou seu império digital foi, sobretudo, a capacidade de Chiara de enxergar a própria imagem como marca. Seus registros de viagens, looks, bastidores e vida pessoal foram essenciais para conectá-la com o público, criando identificação e desejo. Atualmente, Chiara acumula mais de 28 milhões de seguidores no Instagram.



Como extensão natural de seu crescimento on-line, Chiara lançou, em 2013, uma marca homônima com foco inicial em calçados. O ponto de partida foram as famosas sapatilhas com o olho estilizado, que rapidamente se tornaram ícone da etiqueta.

Com o tempo, a linha evoluiu de calçados para uma marca de lifestyle completa, incorporando roupas, acessórios e itens de streetwear, sempre mantendo a assinatura visual da influenciadora.




Confira mais looks de Ferragni na galeria:
O caso pandoro
Apesar do grande sucesso atribuído à carreira de Chiara, sua trajetória também foi marcada por polêmicas. Em 2023, o caso conhecido como “Pandorogate” afetou a imagem da influenciadora. No ano anterior, Ferragni havia colaborado com a empresa italiana Balocco na divulgação de bolos natalinos pandoro, prometendo que o lucro das vendas seria revertido em doações para o hospital Regina Margherita, em Turim, e para uma ONG voltada a crianças com deficiência.

Uma investigação da Autoridade Italiana da Concorrência e do Mercado (AGCM) revelou que a empresa Balocco realizou apenas uma doação de 50 mil euros ao hospital, antes mesmo do início da campanha com Ferragni. Portanto, a autoridade concluiu que a comunicação ao consumidor era enganosa, pois levava o público a acreditar que as compras do pandoro gerariam novas doações para as instituições.

A autoridade impôs uma multa de 400 mil euros a Ferragni pessoalmente, além de 675 mil euros às suas empresas. Após a repercussão, Chiara publicou um pedido de desculpas no Instagram e anunciou doações pessoais ao hospital e à ONG.

A campanha de marketing do pandoro, a Pink Christmas, afirmava que parte dos lucros seria destinada ao hospital infantil
Acusações e possível prisão
Em 2024, a AGCM abriu nova investigação sobre uma campanha de ovos de Páscoa comercializados por Ferragni em parceria com outra fabricante, suspeitando de publicidade enganosa semelhante ao caso pandoro. O Ministério Público de Milão, na Itália, pediu a condenação de Chiara a 1 ano e 8 meses de prisão. A entidade alega que houve um desvio de mais de 2,2 milhões de euros, cerca de R$ 13,7 milhões, por parte da influenciadora.

A defesa da influenciadora alega inocência. Desde a polêmica dos pandoros, Chiara doou 1 milhão de euros (cerca de R$ 6,2 milhões) ao hospital e 1,2 milhão de euros (aproximadamente R$ 7,5 milhões) à ONG, ambas instituições que deveriam ser beneficiadas com a campanha. Além disso, a influenciadora fechou um acordo para ressarcir pessoas afetadas pelo caso. “Nós fizemos tudo de boa-fé, ninguém lucrou com isso”, afirmou a empresária em declaração no tribunal nessa terça-feira (25/11).

O julgamento segue em curso, e a sentença final é esperada para meados de janeiro de 2026, embora a data exata não esteja definida.














