Bruxas viram símbolo de empoderamento e liberdade feminina nas passarelas
Marcas e designers revisitam personagens do Halloween em coleções que questionam a imagem construída em torno dessas mulheres

A mística, o ocultismo e o universo das bruxas e feiticeiras fascinam não apenas os amantes do terror, mas também aqueles que trabalham com moda. Desde Comme des Garçons à Dior, designers têm se inspirado na história e nas narrativas das bruxas para criar coleções que exploram a ambiguidade presente nas histórias dessas mulheres, trazendo questões relacionadas à resistência, ao empoderamento, à liberdade e à sensualidade.
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Referências a personagens históricas
Na coleção de outono/inverno de 2007, Alexander McQueen mergulhou no passado e levou a memória de Elizabeth Howe à passarela. De acordo com o estilista, sua mãe descobriu que a família tinha um parentesco distante com Howe, inglesa condenada à morte durante o Julgamento das Bruxas de Salem, em 1692. Intitulada In Memory of Elizabeth Howe, Salem 1692 (Em memória de Elizabeth Howe, Salem 1692, em tradução livre), a coleção apresentou símbolos ocultistas, silhuetas de inspiração puritana, peças que simulavam armaduras protetoras e bordados que representavam fios de cabelo, em referência à prática de raspar os cabelos das mulheres condenadas.





A Dior também se inspirou no universo da bruxaria em sua coleção de primavera/verão 2024. Na ocasião, as peças faziam referência a mulheres rebeldes e independentes que desafiaram as normas sociais de suas épocas, com destaque para Joana d’Arc, condenada à morte por heresia após lutar pela França na Guerra dos Cem Anos.
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Liberdade feminina
A liberdade feminina também é um tema recorrente nas coleções inspiradas nas bruxas. Em 1993, a renomada designer Martine Sitbon uniu o universo da bruxaria à estética boêmia em seu desfile de primavera/verão. Na ocasião, Kate Moss cruzou a passarela com um chapéu pontudo, vestido fluido e uma piteira na mão, protagonizando um momento que se tornou emblemático.

De acordo com Marc Ascoli, marido de Martine, as criações da estilista são marcadas pelo “sombrio, infantil, feminino, andrógino, rock, poético, indiferente, violento, e elegante, como se viesse das ruas”.
A Comme des Garçons também explorou o arquétipo da bruxa, representando-a como uma mulher forte, empoderada e incompreendida pela sociedade, em vez de um ser puramente maligno. Na coleção de primavera/verão 2016, a label apostou em cabelos volumosos e armados em tons de vermelho, silhuetas amplas, produções com diversas camadas e capas de veludo. Além disso, os sapatos de bico fino e afiado faziam referência à imagem caricata das bruxas.





















