Igor Gadelha

Trabalhadores dos Correios reagem à pressão do Planalto por demissões

Após a coluna revelar que o ministro da Casa Civil pressiona por demissões, funcionários dos Correios criticaram o ministro Rui Costa

atualizado

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Vinícius Santa Rosa/ Metrópoles
Paralisados desde 5 de agosto, trabalhadores dos Correios de SP encerraram a greve. Categoria aprovou nova proposta na quinta-feira (22) - Metrópoles
1 de 1 Paralisados desde 5 de agosto, trabalhadores dos Correios de SP encerraram a greve. Categoria aprovou nova proposta na quinta-feira (22) - Metrópoles - Foto: Vinícius Santa Rosa/ Metrópoles

Trabalhadores dos Correios reagiram à notícia, revelada pela coluna, de que a Casa Civil está pressionando o presidente da empresa, Fabiano Silva, a demitir funcionários e vender parte do patrimônio da estatal.

Nesta terça-feira (1º/7), a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT) emitiu uma nota criticando o governo e responsabilizando o ministro Rui Costa.

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O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos
Planalto pressiona Correios a demitir funcionários e vender imóveis
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, deve se reunir com Marina Silva para tratar do projeto
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O ministro da Casa Civil, Rui Costa, deve se reunir com Marina Silva para tratar do projeto

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos
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O presidente dos Correios, Fabiano Silva dos Santos

Valter Campanato/Agência Brasil
Planalto pressiona Correios a demitir funcionários e vender imóveis
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Planalto pressiona Correios a demitir funcionários e vender imóveis

Reprodução / Direção Concursos

Segundo a FENTECT, a pressão é uma “tentativa covarde de sacrificar milhares de pais e mães de família em nome de acordos políticos espúrios”. Para a entidade, caso haja colapso do sistema postal, a responsabilidade será de Costa.

“Avisamos, de forma direta: a responsabilidade por um eventual colapso no serviço postal e logístico brasileiro, e pelo desgaste político que atingirá o presidente Lula em 2026, será exclusivamente do ministro Rui Costa, que prefere perseguir trabalhadores com demissões a defender empresas estratégicas para o país”, diz a nota.

A pressão da Casa Civil

Na segunda-feira (30/6), a coluna mostrou que, em conversas recentes com aliados, o presidente da empresa relatou ter recebido uma sugestão da Casa Civil para demitir cerca de 10 mil funcionários e vender imóveis dos Correios.

Pelos números apresentados no encontro, essas duas ações poderiam render aproximadamente R$ 2 bilhões aos cofres da estatal, que fechou 2024 com um prejuízo recorde de R$ 2,6 bilhões.

A coluna apurou que as sugestões foram feitas pelo ministro da Casa Civil ao chefe dos Correios em uma reunião realizada em meados de junho. A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, participou da conversa.

De acordo com relatos, a reunião foi marcada por um clima tenso entre Rui e Fabiano. Procurado pela coluna, Rui negou ter sugerido a demissão de funcionários e a venda de patrimônio. A coluna, porém, mantém a informação.

Confira, na íntegra, a nota da federação:

A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (FENTECT), que representa cerca de 60 mil ecetistas em todo o território nacional, vem a público manifestar seu absoluto repúdio e indignação diante das informações divulgadas pelo portal Metrópoles, que dão conta de que a Casa Civil da Presidência da República, sob o comando do ministro Rui Costa, estaria pressionando a direção dos Correios a promover cortes de pessoal e a venda de patrimônios históricos da empresa, em clara ofensiva contra os direitos dos trabalhadores e contra o caráter público da estatal.

Tomamos ciência, com perplexidade, dessa tentativa covarde de sacrificar milhares de pais e mães de família em nome de acordos políticos espúrios com setores do Centrão, em uma manobra eleitoreira desesperada que só demonstra a completa desconexão do governo com quem constrói, diariamente, a maior empresa de logística do Brasil.

Esse não foi o compromisso assumido pelo presidente Lula com os trabalhadores, indo na contramão do discurso de fortalecer a estatal e valorizar os ecetistas. Se a Casa Civil optar por seguir esse caminho de confronto aberto e desrespeito aos trabalhadores e trabalhadoras dos Correios, declaramos que a FENTECT e seus sindicatos filiados estarão prontos para convocar uma greve geral nacional, com a força de cada ecetista e o apoio da sociedade, que conhece e reconhece a importância social dos Correios.

Avisamos, de forma direta: a responsabilidade por um eventual colapso no serviço postal e logístico brasileiro, e pelo desgaste político que atingirá o presidente Lula em 2026, será exclusivamente do ministro Rui Costa, que prefere perseguir trabalhadores com demissões a defender empresas estratégicas para o país.

A FENTECT não aceitará chantagens, não se calará diante de ataques e seguirá firme na defesa dos empregos, dos direitos e do patrimônio do povo brasileiro.

Nenhum trabalhador será sacrificado para atender ao apetite dos negociadores de plantão.

Se vierem para o confronto, encontrarão resistência.

FENTECT – Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares

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