
Igor GadelhaColunas

PF citou ação com influenciadores para pedir prisão de Vorcaro
Argumento da PF foi citado pelo ministro do STF André Mendonça na decisão em que autorizou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro
atualizado
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A Polícia Federal (PF) citou uma ação com influenciadores para tentar descredibilizar a liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, como uma das razões para pedir a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro.
O argumento da PF foi citado pelo ministro do STF André Mendonça na decisão em que o magistrado acatou o pedido da corporação e decretou a prisão preventiva do banqueiro.
Na decisão, Mendonça cita trecho do relatório da PF que trata do “Projeto DV”, em novembro de 2025, com a contratação de influenciadores para “atacar a reputação do BC” após decidir liquidar o Master.
“As novas evidências apresentadas agora a esta Suprema Corte comprovam que Felipe Mourão faz a ponte entre os desejos de Daniel Vorcaro de influenciar a opinião pública e influenciadores contratados pela organização criminosa”, afirma o relatório.
Segundo a PF, esse “modus operandi” foi colocado em prática após a soltura de Vorcaro pelo TRF-1. Na ocasião, havia a possibilidade de o TCU desfazer a liquidação judicial determinada pelo Banco Central.
“Esse mesmo modus operandi está em investigação nos autos do Inq. 5035, cujas ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do ‘Projeto DV’ foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025, e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando, assim, uma decisão da autarquia federal”, diz trecho do relatório da PF citado por Mendonça.
Elementos probatórios
Em sua decisão, Mendonça aponta que a PF trouxe elementos para pedir a prisão preventiva de Vorcaro e que, se as medidas requeridas não forem acolhidas, coloca-se em risco a “segurança” das possíveis vítimas.
“Se as medidas requeridas pela Polícia Federal não forem acolhidas, em caráter de urgência, pode-se colocar em risco a segurança e a própria vida de pessoas que se tornaram vítimas dos ilícitos apontados nestes autos, bem como dificultar, sobremaneira, a recuperação de ativos bilionários que foram desviados dos cofres públicos e de particulares atingidos pelos variados crimes contra o sistema financeiro nacional apurados nestes autos. Enfim, tempus fugit e, no caso específico destes autos, a demora se revela extremamente perigosa para a sociedade”, afirma o ministro do STF.







