
Igor GadelhaColunas

Os bastidores do pedido de aposentadoria de Mauro Cid ao Exército
Mauro Cid resistiu a ir para reserva em 2023, mas mudou de ideia e enviou carta ao Exército em 4 de agosto pedindo aposentadoria antecipada
atualizado
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Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid pediu ao Exército para ser transferido para a reserva remunerada antes de completar o tempo de serviço.
O pedido foi revelado pela defesa do militar à imprensa na terça-feira (2/9), durante o primeiro dia do julgamento de Cid e dos outros sete réus do inquérito do golpe no STF.
A coluna apurou que o tenente-coronel protocolou a solicitação em 4 de agosto. Junto ao pedido, ele entregou uma carta ao Comando do Exército explicando seus motivos.
Na carta, segundo apurou a coluna, Cid argumentou que já havia cumprido quase todo seu tempo de serviço e que agora pretendia entrar em uma “nova fase” de sua vida.
O ex-ajudante de ordens tem 29 anos e seis meses de tempo de serviço, um pouco menos do que os 31 anos mínimos exigidos pelas regras atuais de aposentadoria do Exército.
Por esse motivo, Cid ingressou com o chamado pedido de “cota compulsória”. A solicitação foi encaminhada para uma comissão do Exército, que não tem prazo para analisar a demanda.
Na sequência, o processo será submetido ao comandante geral da Força, a quem caberá a palavra final de conceder ou não a aposentadoria antecipada do ex-ajudante de ordens.
Exército sugeriu que Mauro Cid fosse para reserva em 2023
Se o benefício for concedido, Cid se aposentará como tenente-coronel, sem o direito de ir para a reserva com um posto acima, como acontece com militares que cumpriram o tempo mínimo de serviço.
A expectativa do militar é de que o Exército conceda o benefício. Interlocutores de Cid lembram que, em 2023, o Alto Comando da Força chegou a sugerir que ele fosse para a reserva.
Na época, contudo, o tenente-coronel se recusou. O militar avaliou que não seria interessante para ele, pois perderia o direito à casa funcional em Brasília, em meio ao andamento do inquérito do golpe.
O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, contudo, mudou de ideia na reta final do caso. A aliados, ele alegou que, após fechar delação, não teria mas condições de continuar no Exército.
Cid também admite, nos bastidores, que sua família e seus advogados influenciaram na decisão. E o que fará, caso o Exército o transfira para a reserva? O militar está “aberto a sugestões”.











