
Igor GadelhaColunas

Motta planejou votação do IOF em sigilo bem antes de anunciá-la
Ainda na semana passada, Motta pediu ao deputado que relatou derrubada do IOF para ficar em Brasília, porque teria uma “missão” para ele
atualizado
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O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), começou a planejar a derrubada do decreto do governo sobre o IOF bem antes de anunciar a votação por meio das redes sociais, às 23h35 da terça-feira (24/6).
No final da semana passada, Motta procurou o deputado Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e pediu que ele ficasse em Brasília nesta semana. O presidente da Câmara alegou que teria uma “missão” para o bolsonarista.
Por temor de vazamento, Motta não antecipou qual seria a missão. A tarefa só foi revelada na manhã da quarta-feira (25/6), quando o presidente da Câmara avisou a Chrisóstomo que ele relataria a derrubada do IOF.
Motta tentou manter toda a articulação em sigilo. Até mesmo para caciques aliados do Centrão ele deixou para revelar apenas na noite da terça que pautaria o tema no dia seguinte.
Um dos procurados foi o presidente do União Brasil, Antônio Rueda. O partido fechou uma federação com o PP. As duas siglas já tinham anunciado no início de junho que votariam pela derrubada do decreto do IOF.
Na terça-feira, Motta chegou a conversar com o líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), mas não deu qualquer sinal de que anunciaria a votação do projeto que susta as mudanças no imposto.
Por que Motta decidiu antecipar a votação
A decisão de Motta de votar um projeto para derrunar o decreto do IOF pegou o Palácio do Planalto de surpresa. O governo esperava que o tema só seria tratado pelo presidente da Câmara na próxima semana.
Em 16 de junho, mesmo dia em que aprovou o regime de urgência do projeto, Motta avisou que daria um prazo de duas semanas para o governo apresentar alternativas ao IOF. O prazo acabaria na sexta-feira (27/6).
O presidente da Câmara, no entanto, decidiu antecipar o fim desse prazo após se irritar com supostas críticas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao parlamentar paraibano.
Uma dessas críticas teria sido feita em um jantar promovido pelo Prerrogativas, grupo de advogados próximos a Lula, no dia 13 de junho, em São Paulo. Haddad, porém, nega ter feito as críticas.
Somou-se a isso um incômodo de Motta com uma suposta tentativa de ministros de dizerem que ele estaria usando o decreto do IOF para chantagear o governo a liberar emendas parlamentares.
Para completar a equação, Haddad deu uma entrevista na noite da terça-feira, horas antes de Motta anunciar a votação, criticando o projeto da Câmara de aumentar o número de deputados de 513 para 531.







