Não é só o ministro da Defesa, general Walter Braga Netto, que trabalha para ser escolhido como o candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro nas eleições deste ano.
Ministro-general assim como Braga Netto, o titular do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, também se movimenta nos bastidores para compor a chapa com o chefe.

A relação de Hamilton Mourão e Bolsonaro sempre foi conturbada. O general, na verdade, não foi a primeira, segunda ou terceira opção do mandatário para vice-presidente. Ele foi, na verdade, o quinto nome “escolhido” após pressão políticaIgo Estrela/Metrópoles

Pressão essa que, por sinal, explica o motivo pelo qual o "casamento" dos dois nunca andou bem. Prova disso é o fato de o presidente não cogitar continuar com o atual vice para a próxima corrida eleitoralRafaela Felicciano/Metrópoles

Por ter posicionamentos muitas vezes divergentes dos de Bolsonaro, Mourão já foi chamado pelo presidente como "cunhado que ele tem que aturar”Igo Estrela/Metrópoles

Indo para o quarto ano do mandato presidencial, a distância entre o presidente e o vice está cada vez maior. Bolsonaro, inclusive, chegou a dizer que Mourão “atrapalha um pouco” o governo e que “vice bom é aquele que não aparece”Isac Nóbrega/PR

Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton MourãoHugo Barreto/Metrópoles

Entre diversas provocações feitas a Mourão, Carlos Bolsonaro, filho número 2 do presidente, chegou a insinuar em um twitter postado em 2020 que o vice-presidente conspira para derrubar o pai deleCaio César/Câmara Municipal do Rio de Janeiro

No fim de 2020, Bolsonaro alfinetou Mourão afirmando que demitiria quem propusesse expropriação de terras como pena por crimes ambientais. O interessante é que a proposta era do Conselho da Amazônia, presidido pelo vice-presidenteRafaela Felicciano/Metrópoles

Apesar das investidas negativas, Hamilton diz que “sente falta” de dialogar e de se reunir com o mandatário do paísIgo Estrela/Metrópoles

“Não há conversas seguidas entre nós. As conversas são bem esporádicas. Faz falta até para eu entender o que eu preciso fazer”, disse o vice-presidenteRafaela Felicciano/Metrópoles

De acordo com especialistas, Mourão poderia ajudar Bolsonaro a manter o convívio com os poderes, mas o presidente insiste em deixar o vice distanteAlan Santos/PR
Nos últimos meses, Heleno procurou dirigentes de partidos do Centrão que têm espaço no governo para conversar sobre uma possível filiação. Entre eles, o Republicanos. A sigla, porém, ainda não deu uma resposta.
Segundo apurou a coluna, aliados de Heleno também têm enviado à Bolsonaro publicações de sites conservadores defendendo o general do GSI como o melhor nome para ser vice.
Em 2018, Heleno também chegou a ser cotado para ser candidato a vice. De última hora, contudo, Bolsonaro escolheu o também general da reserva Hamilton Mourão.
Aliados de Mourão, aliás, até sonham em repetir a chapa em 2022, mas, segundo fontes próximas a Bolsonaro, o atual vice seria o que tem menos chances hoje. A tendência é que Mourão dispute uma vaga no Senado.