
Igor GadelhaColunas

Lula pavimenta indicação de Messias com Boulos e gestos a Alcolumbre
Presidente Lula usa nomeação de Boulos como ministro do governo e gestos a Alcolumbre para pavimentar indicação de Jorge Messias ao STF
atualizado
Compartilhar notícia

Dada como certa no Palácio do Planalto desde a semana passada, a indicação de Jorge Messias ao STF vem sendo pavimentada pelo presidente Lula gradualmente nos últimos dias com alguns movimentos políticos.
Um desses movimentos foi a nomeação do deputado Guilherme Boulos (PSol) como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, concretizada por Lula na noite da segunda-feira (20/10), após meses de especulações.
A nomeação de Boulos como ministro neste momento, na avaliação de auxiliares presidenciais, pode ajudar a conter a pressão de movimentos sociais pela indicação de uma mulher negra para o Supremo.
GALERIA
O cálculo é de que Boulos, embora não seja uma mulher negra, é uma liderança próxima de movimentos sociais. Assim, a nomeação dele como ministro seria uma “compensação” pela não indicação de uma negra ao STF.
O gesto de Lula a Alcolumbre
Outro movimento de Lula para pavimentar a indicação de Messias envolve acenos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que atuava para emplacar o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) no Supremo.
Um dos gestos de Lula a Alcolumbre veio na segunda-feira (20/10), quando o Ibama concedeu uma licença para que a Petrobras perfure um poço exploratório em águas profundas na região da Foz do Amazonas.
A medida faz parte do processo para exploração de petróleo na Foz do Amazonas, atividade da qual Alcolumbre é um dos principais defensores — a região abrange o Amapá, reduto eleitoral do senador.
Em mais um gesto a Alcolumbre, Lula também chamou o presidente do Senado para um jantar na segunda-feira no Palácio da Alvorada. No encontro, o petista deixou claro que pretende indicar Messias.
Lula também quer fazer gesto a Pacheco
Lula, entretanto, adiou a indicação ao STF para depois que retonar de sua viagem à Ásia, na próxima semana. Como noticiou a coluna, o petista quer antes fazer um gesto para o próprio Pacheco.
Na próxima segunda-feira (27/10), o atual vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), se filiará oficialmente ao PSD, o que enfraquecerá Pacheco dentro do partido.
Aliado de Romeu Zema (Novo), Simões assumirá o governo mineiro em abril, após a desincompatibilização do governador, e tentará reeleição, o que obrigará Pacheco a mudar de legenda.
Lula já deixou claro que quer que o senador mineiro seja candidato ao governo do estado em 2026 para servir de palanque para o petista, que tentará reeleição para o Palácio do Planalto.
Nesse cenário, Lula trabalha para achar um novo partido para Pacheco. O PSB já convidou o senador, mas a preferência do presidente seria pelo MDB, que tem um fundo eleitoral maior.