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Igor Gadelha

Falha técnica? Vorcaro driblou a PF para garantir depoimento a Mendonça

Daniel Vorcaro prestou depoimento ao gabinete de André Mendonça na mesma hora em que tinha uma oitiva com a Polícia Federal (PF) marcada

02/09/2026 16:44, atualizado 02/09/2026 17:05
Reprodução/SAP
Banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master

A defesa de Daniel Vorcaro driblou a Polícia Federal (PF) para viabilizar o depoimento do dono do Banco Master ao gabinete do ministro do STF André Mendonça, na semana passada, em Brasília.

Conforme a coluna noticiou mais cedo, a oitiva de Vorcaro a um juiz auxiliar do gabinete Mendonça aconteceu na manhã da quinta-feira (27/8), dentro da Papudinha, onde o banqueiro está preso.

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Andrei Rodrigues, chefe da PF
Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
Ex-presidente ficou custodiado na Papudinha, em Brasília
Imagens mostram como está a Papudinha preparada para a detenção de Jair Bolsonaro
Ministro do STF André Mendonça
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KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
Andrei Rodrigues, chefe da PF
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Andrei Rodrigues, chefe da PF

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Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro
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Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro

Foto: Divulgação
Ex-presidente ficou custodiado na Papudinha, em Brasília
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Ex-presidente ficou custodiado na Papudinha, em Brasília

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Na manhã daquele mesmo dia, porém, estava marcado um depoimento de Vorcaro à PF no âmbito de um inquérito que apura a possível corrupção de servidores do Banco Central pelo banqueiro.

A oitiva deveria começar às 10h, por videoconferência. Segundo apurou a coluna, o delegado da PF e o advogado Sergio Leonardo, que comanda a defesa de Vorcaro, chegaram a se conectar.

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O próprio banqueiro, contudo, não se conectou. A Papudinha alegava que uma falha técnica impedia a conexão — motivo que acabou sendo usado para justificar o adiamento do depoimento à PF.

A “falha técnica”, na verdade, tinha outro motivo. No momento em que deveria falar à Polícia Federal, Vorcaro estava frente à frente a João Azambuja, juiz auxiliar do gabinete de Mendonça depondo.

O dono do Banco Master estava acompanhado do advogado Daniel Bialski, que também atua na defesa do banqueiro. Bialski, aliás, foi o responsável por pedir a Mendonça que seu cliente fosse ouvido.

A estratégia provocou divergências na defesa de Vorcaro. Segundo apurou a coluna, alguns dos advogados da equipe fizeram chegar a Bialski que não concordavam com aquele depoimento ao gabinete de Mendonça.

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Procurado pela coluna, o advogado Daniel Bialski informou que a defesa de Vorcaro não ia se pronunciar.

O que diz o gabinete de Mendonça

Em nota, o gabinete de Mendonça afirmou que o depoimento foi realizado “por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência“.

O gabinete afirmou ainda que a ausência de representantes da PF está de acordo com resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que garante o afastamento da equipe policial em determinados tipos de depoimento.

“A presença de representante do Ministério Público em audiências dessa natureza é exigência legal, e foi observada. Quanto à Polícia Federal, as normas do Conselho Nacional de Justiça consagram, como garantia de incolumidade física e psicológica do depoente, o afastamento da equipe policial responsável pela investigação nos atos em que ele é ouvido (Resolução CNJ nº 213/2015, com as alterações da Resolução nº 562/2024). Tratando-se de depoimento motivado por relato de graves intimidações, a não convocação de agentes policiais seguiu essa mesma diretriz de proteção, e não qualquer escolha de conveniência do gabinete”, diz a nota.

O gabinete disse que o conteúdo do depoimento é “resguardado por sigilo legal” e ressaltou que “não procede” a informação de que teriam sido abordados temas relacionados ao ministro Alexandre de Moraes.

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