
Igor GadelhaColunas

Ao mirar em Zema, Gilmar dá agenda e impulsiona ex-governador
Investida do ministro Gilmar Mendes contra Romeu Zema dá agenda anti-STF ao ex-governador e ajuda o mineiro a se projetar eleitoralmente
atualizado
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A investida do ministro Gilmar Mendes, atual decano do STF, contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) produz um efeito colateral que vai além do terreno jurídico e adentra o campo político-eleitoral de 2026.
Ao pedir que Zema seja investigado por publicar um vídeo satirizando ministros da Corte e dar uma série de entrevistas o alfinetando no campo pessoal, Gilmar ajuda a projetar o ex-governador, que é pré-candidato ao Palácio do Planalto.
No momento em que os presidenciáveis da direita disputam espaço e narrativa, Gilmar dá a Zema um ativo valioso: visibilidade associada ao discurso anti-STF. Algo que mobiliza uma grande parcela do eleitorado conservador.
O ex-governador, até então, estava sem uma agenda forte. Se souber surfar na onda impulsionada por Gilmar — e por Flávio Bolsonaro, que preferiu não entrar no embate de forma contundente —, Zema poderá colher dividendos eleitorais.
Os efeitos positivos já começaram a ser sentidos pelo político mineiro agora. Segundo auxiliares, Zema teria ganhado cerca de 150 mil novos seguidores nas redes sociais no início da semana, após Gilmar pedir que ele fosse investigado.
Há, portanto, um paradoxo evidente: ao acionar instrumentos judiciais contra Zema, o atual decano do STF acaba ajudando a impulsionar o mineiro politicamente. Se esse impulso será sustentável até as eleições, só o tempo dirá.







