
Igor GadelhaColunas

Além da anistia, julgamento de Bolsonaro dá mais um abacaxi para Motta
Lideranças do Centrão preveem que uma das decisões do Supremo no julgamento da trama golpista trará novo abacaxi para as mãos de Hugo Motta
atualizado
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Além da pressão pela anistia, o julgamento e condenação de Jair Bolsonaro e de outros sete réus no inquérito do golpe pelo STF trouxeram mais um abacaxi para o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), resolver.
Isso porque um dos réus condenados na quinta-feira (11/9) foi o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Além dos 16 anos de prisão, o Supremo determinou a perda de mandato do parlamentar bolsonarista.
Com a decisão, Motta terá de lidar com um problema que já vem enfrentando, após o ministro Alexandre de Moraes condenar a deputada Carla Zambelli (PL-SP) por invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Assim como ocorreu com Ramagem, o STF tomou decisão colegiada de condenar a deputada paulista e determinar a perda de seu mandato. Motta, contudo, decidiu que a palavra final sobre o caso deveria ser do plenário da Casa.
Lideranças do Centrão admitem, nos bastidores, que o caso de Ramagem será mais um problema para Motta, uma vez que, embora a palavra final seja da Câmara, o entendimento do STF sobre o tema muda com frequência.
O caso de Zambelli, por exemplo, está desde junho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que vem ouvindo testemunhas. Na quarta-feira (10/9), o colegiado ouviu, por exemplo, o hacker Walter Delgatti.
Ramagem no centro de confusão
Já Ramagem tem o agravante de estar no centro de outra briga entre Câmara e STF. Em maio de 2025, a Casa aprovou a suspensão das ações contra o deputado no âmbito do inquérito do golpe.
O Supremo, entrentanto, paralisou apenas as ações cujos crimes teriam sido cometidos no exercício do mandato, prosseguindo com a análise dos supostos crimes cometidos antes do mandato.
Isso permitiu ao STF condenar Ramagem pelos crimes de golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático e organização criminosa. Ficaram de fora apenas as ações relacionadas ao 8 de Janeiro.





