Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Naomi Matsui

Vice da Câmara usou cota para contratar ex-fornecedor de campanha

Empresa que alugou carros ao deputado disse à Receita que também constrói ferrovias e vende artigos de banho

atualizado 26/07/2021 8:55

Marcelo RamosPablo Valadares/Câmara dos Deputados

O vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos, destinou R$ 45,6 mil da cota parlamentar para uma ex-fornecedora de sua campanha. O deputado alugou carros da Tupã Importações de março de 2019 a fevereiro de 2020. O sócio da companhia também prestou serviços à campanha do parlamentar, prática que não é ilegal.

Em 2016, quando concorreu a prefeito de Manaus, Ramos pagou R$ 252,7 mil à Tupã por aluguel de carros. Sérgio Roberto Gomes Marques, sócio da empresa, recebeu R$ 4 mil pelo aluguel de um imóvel para a campanha.

Dois anos depois, em 2018, na eleição em que obteve seu primeiro mandato na Câmara, Ramos pagou R$ 7 mil a Marques, também por um imóvel. Ao todo, a firma e o sócio receberam R$ 263,7 mil da campanha de Ramos, segundo dados da Justiça Eleitoral.

Com a verba da Câmara a que os deputados têm direito, Ramos contratou a Tupã 12 vezes, de março de 2019 até fevereiro de 2020. Todos os pagamentos foram de R$ 3,8 mil pelo mesmo carro, um Toyota Corolla de 2018. Desde o ano passado, não houve novas contratações do serviço.

Sediada em Manaus, a Tupã informou à Receita Federal exercer 88 atividades econômicas. Além de locação de veículos, a lista inclui construção de rodovias e ferrovias; comércio varejista de artigos de cama, mesa e banho; transporte rodoviário de carga; hotéis; lavanderias; e produção de eventos esportivos.

A companhia recebeu R$ 80 mil do governo federal por um contrato em 2011 com o Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) em Fortaleza. Prestou o serviço de transporte de materiais, equipamentos e empregados do órgão.

Procurado, Marcelo Ramos negou ilegalidades e afirmou que fez as contratações segundo o regulamento da Câmara.

Ramos tem trocado farpas com Jair Bolsonaro depois que a Câmara aprovou a destinação de R$ 5,7 bilhões para o Fundo Eleitoral. Na última segunda-feira (19/7), o vice-presidente da Câmara pediu ao presidente da Casa, Arthur Lira, acesso aos 126 pedidos de impeachment contra Bolsonaro.

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