Venezuela: Haddad, Múcio e outros ministros-chaves de Lula se calam
12 ministros não disseram se consideram Venezuela democracia ou ditadura; 5 países apontam vitória de opositor de Maduro

Doze ministros do governo Lula se calaram sobre a situação na Venezuela, em meio a fortes suspeitas de fraudes nas eleições presidenciais no país no último domingo (28/7). A coluna questionou os ministros se definiam a Venezuela como democracia ou ditadura. Nenhum respondeu.
Na última quarta-feira (31/8), a coluna enviou as mesmas perguntas por e-mail para doze ministros, por meio da assessoria de imprensa das pastas: “Qual é a definição do ministro para o regime político atual da Venezuela (democracia, ditadura, outros)? E para a eleição presidencial disputada no último domingo no país?”.
Foram questionados os seguintes ministros: Rui Costa, da Casa Civil; José Mucio, da Defesa; Ricardo Lewandowski, da Justiça; o vice-presidente Geraldo Alckmin, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio; Silvio Almeida, dos Direitos Humanos; Fernando Haddad, da Fazenda; Jorge Messias, da Advocacia-Geral da União; Marcos Amaro, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Alexandre Padilha, de Relações Institucionais; Márcio Macêdo, da Secretaria-Geral; e Margareth Menezes, da Cultura.
Nenhum ministro respondeu às perguntas. Por telefone, a Defesa e o GSI alegaram que a demanda deveria ser repassada ao Itamaraty. A ministra do Planejamento, Simone Tebet, foi questionada, mas sua assessoria afirmou que ela está de férias.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesA reeleição do presidente venezuelano no último domingo tem sido fortemente contestada pela comunidade internacional, o Brasil incluso, que pressiona pela apresentação das atas de votação. Argentina, Uruguai, Equador, Costa Rica e Estados Unidos declararam a vitória do oposicionista Edmundo González. Nicolás Maduro, que ameaçou um “banho de sangue” em caso de derrota, disse ter vencido e se recusou a apresentar os dados das urnas. O chavista está no poder há onze anos.
Apesar da cobrança do governo brasileiro pela comprovação da lisura eleitoral na Venezuela, Lula disse na terça-feira (30/7) que não via nada “anormal”, “grave” ou “assustador” na eleição venezuelana. O partido do presidente foi além. A Executiva Nacional do PT reconheceu a eleição de Maduro e classificou o pleito de uma “jornada pacífica, democrática e soberana”.
Em entrevista à coluna na quarta-feira (31/7), a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, disse que o regime de Maduro não é uma democracia. “Na minha opinião pessoal, eu não falo pelo governo, não se configura como uma democracia. Muito pelo contrário”, afirmou. E completou: “Um regime democrático pressupõe que as eleições são livres”.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues, disse na quinta-feira (1º/8) que a eleição venezuelana não teve “idoneidade”, isto é, não foi confiável. “Uma eleição em que os resultados não são passíveis de certificação e onde observadores internacionais foram vetados é uma eleição sem idoneidade”, disse Randolfe.




















