Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Paulo Cappelli

Pesquisa indica Bolsonaro prisioneiro de seus eleitores

O presidente teve o mesmo percentual de votos na pesquisa espontânea e na estimulada

atualizado 16/01/2022 17:03

O presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido), durante discurso para apoiadores na manifestação contra o STF na Avenida Paulista 4Fábio Vieira/Metrópoles

Jair Bolsonaro registrou quase o mesmo percentual de votos na pesquisa espontânea e na estimulada, de acordo com o último levantamento feito pelo Ipespe/XP, divulgado nesta sexta-feira.

Nos dois cenários estimulados testados, quando os nomes dos prováveis candidatos são apresentados ao entrevistado, o presidente teve 24% e 25%. Já na espontânea, 25% deram seu nome sem nenhum tipo de estímulo.

A única diferença entre as duas listas apresentadas nas pesquisas estimuladas está na presença do ex-ministro Sergio Moro. Quando ele é candidato no primeiro turno, Bolsonaro tem 24%. Sem ele e com a entrada de Alessandro Vieira entre os pleiteantes, seus votos sobem para 25%.

O mesmo não acontece com Lula, que teve 35% na espontânea e 44% na estimulada. O mais comum em pesquisas é ocorrer um crescimento ao passar da espontânea para a estimulada, com indecisos escolhendo candidatos.

O resultado semelhante nos dois tipos de pergunta pode indicar a consolidação do tamanho da base bolsonarista e os problemas que o presidente tem para ir além dela.

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Eleitores que não apresentam seu nome na espontânea — ou seja, eleitores que provavelmente não são bolsonaristas convictos — não parecem se entusiasmar com a candidatura de Bolsonaro quando ele aparece entre as opções.

Outra pesquisa presidencial divulgada nesta semana foi a da Quaest/Genial. Nela, Bolsonaro teve 16% na espontânea e 23% na estimulada. Já Lula passa de 27% para 45%.

Apesar de numericamente diferentes, o levantamento mostra uma tendência parecida. Um Bolsonaro prisioneiro do seu núcleo duro de eleitores e Lula conquistando mais votos quando a lista de nomes é apresentada.

A notícia é ruim para Bolsonaro porque não é ele quem lidera as pesquisas. Se o mesmo acontecesse com ele num patamar de 45% dos votos, como aparenta ter hoje Lula, a conversa seria outra. Como não é o caso, sua campanha precisará encontrar uma maneira de ele ir além de seu público cativo, mas sem perdê-lo.

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