
Guilherme AmadoColunas

Lula deveria receber nomes da lista tríplice, defende Ela Wiecko
Ela Wiecko tornou-se uma espécie de bússola para os defensores de um nome progressista à frente da Procuradoria-Geral da República (PGR)
atualizado
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A subprocuradora Ela Wiecko é apontada no Palácio do Planalto como um nome que poderia chegar à Procuradoria-Geral da República (PGR) se não estivesse aposentada. Próxima da esquerda há décadas, tornou-se uma espécie de bússola para os defensores de um nome progressista à frente da instituição. “Doutora Ela o apoiaria”, disse dia desses um auxiliar de Lula, em tom positivo, sobre o eventual respaldo dela a um dos candidatos à PGR.
O raciocínio não é à toa. Wiecko, na época vice-procuradora-geral da República, foi a única figura com cargo de destaque no Ministério Público Federal a defender, em 2016, que o impeachment de Dilma Rousseff era “um golpe”, ponto de vista majoritário entre a esquerda. Na ocasião, disse ao colunista Rodrigo Rangel, então na revista “Veja”:
“Eu acho que, do ponto de vista político, é um golpe, é um golpe benfeito, dentro daquelas regras”.
Com esse grau de proximidade, não poderia, portanto, ser acusada de ser alguém que defenderia algo que necessariamente ameace a democracia ou a estabilidade política do país, fantasmas que são lançados por quem advoga contra a lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR).
Em conversa com a coluna, Wiecko defendeu que Lula ao menos receba os candidatos da lista para conversar.
“Acredito que, se o presidente Lula receber candidato ou candidata da lista tríplice, poderá ter um quadro mais completo das alternativas à sua disposição para subsidiar uma escolha tão crucial neste momento político”, sugeriu.
Wiecko discorda com o discurso dos que dizem que todo candidato na lista tríplice defende pautas corporativistas dos procuradores da República.
“O fato de se inscrever no processo da ANPR para formação da lista tríplice não deve ser avaliado necessariamente como prova de corporativismo ou de concordância com posições de apoio ao lavajatismo”, defendeu, lembrando que estar na lista não significa ser o candidato preferido da ANPR: “Integrar a lista não significa necessariamente ser o candidato da ANPR ou concordar com todas as opiniões que seus dirigentes externarem”.
Nos últimos dias, após Lula externar que “não tem pressa” para escolher o PGR, e pedir a sugestão de outros nomes, além dos que já haviam chegado a ele, defensores da lista tríplice viram nisso uma oportunidade para tentar insistir em que o presidente ao menos considere os nomes que estão lá.
Wiecko lembrou que a forma pública como a lista é composta é a única que permite à sociedade participar do debate e conhecer as propostas dos candidatos ao cargo.
“(A lista tríplice) É atualmente a única possibilidade de revelar de forma transparente a disposição de submeter ideias e propostas ao escrutínio público, visando à indicação a PGR. Acho isso um aspecto a ser considerado”, defendeu Wiecko.
A propósito, o candidato de Wiecko é o subprocurador Mario Bonsaglia, que ficou em segundo lugar na eleição da lista tríplice.