
Guilherme AmadoColunas

Justiça ordena avaliação presencial de aluno barrado por cota racial
Entregador de aplicativo Mabson dos Santos aponta discriminação por cota racial negada pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
atualizado
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A Justiça determinou que a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) faça uma avaliação presencial do entregador de aplicativo Mabson dos Santos, que teve a aprovação por cotas raciais negada pela instituição. A decisão foi assinada na quinta-feira (1º/2). No último dia 26, a coluna mostrou que Santos acusou a UFU de discriminação racial e acionou a Justiça.
O juiz federal Osmane Antonio dos Santos considerou que as características de Santos como pessoa negra “parecem saltar aos olhos”. A defesa de Mabson dos Santos afirmou que a UFU só o avaliou com base em fotos e vídeos de baixa qualidade, sem justificar a decisão. O magistrado escreveu que o exame presencial consta do edital e é “indiscutivelmente necessário” para o caso.
As aulas na UFU começaram há um mês. Mabson dos Santos, de 29 anos, fez o vestibular para educação física. Sua defesa, liderada pela entidade Rede Liberdade, afirmou que ele já estaria na universidade caso tivesse se inscrito apenas pelas cotas destinadas a estudantes do ensino médio de escola pública e de baixa renda.
“Sou um homem preto. Na minha realidade, enfrento diariamente o racismo pelo meu fenótipo. Na hora de ser reconhecido como homem preto por direito, não fui”, afirmou o entregador de aplicativo, acrescentando que se dedicou aos estudos do vestibular durante todo o ano passado.