Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Lucas Marchesini

Hospitais temem quebradeira com piso nacional da enfermagem

Representantes de hospitais privados e filantrópicos alertam para uma possível quebradeira caso o Piso Nacional da Enfermagem seja aprovado

atualizado 02/12/2021 14:31

Fábio Vieira/Metrópoles

Entidades empresariais que representam hospitais privados e filantrópicos em todo o país alertam para uma possível quebradeira de hospitais caso o Piso Nacional da Enfermagem seja aprovado pelo Congresso. A avaliação é da Federação Brasileira de Hospitais e da Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos.

O projeto, que já foi aprovado no Senado, estabelece um piso de R$ 4.750 para enfermeiros, R$ 3.325 para técnicos de enfermagem e R$ 2.375 para auxiliares de enfermagem em todo o Brasil. A Câmara ainda precisa deliberar sobre o assunto.

“As regiões mais pobres são as que mais vão sentir o peso do aumento de custos, pois praticam médias salariais bem abaixo dos grandes centros”, estimou o presidente da Confederação das Santas Casas, Mirocles Véras.

O presidente da Federação Brasileira de Hospitais, Adelvânio Francisco Morato, estima um impacto de R$ 18,4 bilhões em todo o setor caso o projeto seja aprovado tal qual saiu do Senado.

“O impacto, conforme estudos apontam, seria devastador para todo o setor, em torno de R$ 18,4 bilhões no total, sendo R$ 6,3 bilhões para o setor público, R$ 6,2 bilhões para entidades sem fins lucrativos e R$ 5,8 bilhões para entidades com fins lucrativos por ano”, explicou em nota.

Só na Paraíba, por exemplo, o piso nacional representará um aumento de 131% para enfermeiros. Esse percentual é de 126% no Acre e 114% em Pernambuco. O estado menos afetado seria o Rio de Janeiro, com um crescimento médio de 17% nos vencimentos de enfermeiros.

A pandemia de Covid-19 é um agravante, prosseguem as duas entidades. “O que torna o cenário ainda mais preocupante é que a pandemia provocou uma forte crise no setor hospitalar, que viu a receita cair drasticamente e os custos explodirem com a superinflação no preço de insumos”.

O problema se estende ao setor público. Prefeituras e governos estaduais precisarão incorporar o aumento em seus respectivos orçamentos. ” É preciso ter receita para pode absorver esse piso, mas sabemos que muitas prefeituras não terão como arcar com esses salários nas unidades de atenção básica e nos hospitais municipais”, pontuou Veras.

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