Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Lucas Marchesini

Ex-empregado diz que Ana Cristina chantageava Bolsonaro para ter controle da rachadinha

Segundo Marcelo Luiz, que trabalhou 14 anos com o clã Bolsonaro, a ex-mulher ameaçava expor a vida pessoal do casal se fosse contrariada

atualizado 04/09/2021 16:19

Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, o ex-empregado que denunciou à coluna uma série de supostos crimes cometidos pela família Bolsonaro, afirma que Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro, fazia chantagens com o então marido para permanecer à frente das rachadinhas nos gabinetes de Flávio e Carlos, o primeiro e segundo filhos do presidente, respectivamente. Segundo o ex-funcionário, Ana Cristina ameaçava expor histórias íntimas da relação do casal, caso perdesse o controle do esquema de desvio de dinheiro. A coluna optou por não reproduzir as histórias porque elas envolvem a privacidade de outras pessoas.

Marcelo conta que nem todas as histórias que Ana Cristina ameaçava espalhar sobre Bolsonaro eram verdadeiras.

“Isso aconteceu quando ele começou a ser pressionado pelos filhos, no negócio da rachadinha, e teve de tomar atitude. Foi quando ela foi ameaçar ele, dizendo que se ele fizesse algo, ela ia f*** com ele também”, conta Marcelo.

O ex-funcionário diz que Ana Cristina usava Jair Renan, o filho do presidente com Ana Cristina, na chantagem.

“Primeiro ela fazia chantagem com ele usando o (Jair) Renan. Ela falava que sumiria com o Renan, isso e aquilo. Ela é capaz disso tudo”, disse.

O garoto, de acordo com Marcelo, não se dava bem com a madrasta quando morava com o pai e Michelle na Barra da Tijuca por ser influenciado pela mãe.

Segundo Marcelo, a relação de Jair Renan com Michelle Bolsonaro era tão desgastada pelas manipulações de Ana Cristina que o garoto passou a morar sozinho, aos 16 anos, em um apartamento ao lado do condomínio Vivendas da Barra, onde vivia anteriormente com o pai e a madrasta.

O ex-empregado da família também acusa Ana Cristina Valle de fazer uma “lavagem cerebral” em Jair Renan, que, segundo ele, é proibido pela mãe até hoje de visitar o Alvorada se Bolsonaro não estiver lá.

Marcelo não foi um funcionário qualquer para a família Bolsonaro. Em um vídeo divulgado na internet, Jair Renan diz que Marcelo é seu “pai de criação” e que faria uma postagem em homenagem ao aniversário dele. “Eu chamo ele de Marcelão”, diz Jair Renan na filmagem.

Leia abaixo mais trechos da entrevista de Marcelo à coluna.

Ana Cristina pressionou Bolsonaro para permanecer no controle das rachadinhas?

Isso. O tempo todo. Primeiro ela fazia chantagem com ele usando o (Jair) Renan. Ela falava que sumiria com o Renan, isso e aquilo. Ela é capaz disso tudo. Tanto que ela veio aqui no Brasil quando estava na Noruega e sequestrou o Renan, né? Ela tirou uma certidão falsa do Renan, só no nome dela, e levou o Renan para a Noruega, sem o pai saber.

Qual era o intuito dessa chantagem?

Ela usava isso para poder continuar com o negócio da rachadinha. Ela é gananciosa.

E como é a relação dela hoje com o presidente Bolsonaro?

Ele tem um ódio mortal dela. Ele quer ver o diabo, mas não quer ver ela. Ele não quer nem saber do nome dela, tem um ódio dela desde a separação, ele só humilha ela. Tem um ódio mortal, mortal, mortal.

Como é o acesso do Jair Renan ao Palácio do Alvorada?

Isso aí é proibido também. Só pode ir lá quando o pai está. Mas o problema todo da Michelle com o Renan começou quando o Renan foi morar com eles lá na Barra, porque a mãe do Renan ficava lá da Noruega… Pô, ele era adolescente, em plena adolescência, ela com o despeito porque o Bolsonaro tinha arrumado uma novinha, ela ficava fazendo a cabeça do Renan, por telefone, para ele infernizar a vida da Michelle. Ela falava que a Michelle era a culpada da separação dela com o pai, inventava um monte de coisas na cabeça do garoto. E o Jair Renan, que estava na adolescência, infernizava a mulher dentro de casa com rebeldias de adolescente. A Michelle era dona da casa e tinha regras, educação, e coisa e tal. E ele não aceitava, ele queria fazer o que quisesse. E a mãe botando por trás e botando fogo, que ele não tinha que respeitar ela, tinha que perturbar. Era rebeldia de adolescente. O negócio ficou tão quente, tão quente, que não tinha nem como cobrar. Aí tu imagina o inferno que devia ser, né? Tanto que o negócio ficou tão quente, tão quente, que quando o Renan estava com 16 anos o pai dele alugou um apartamento lá do lado do condomínio para ele morar sozinho. Tem um condomínio ali de prédios, ali do lado, do lado mesmo, que ele alugou um apartamento lá e botou o garoto lá, pra tirar o Renan de dentro de casa porque o inferno era tanto. Mas isso tudo é orquestrado pela Ana Cristina. Ela que ficava por trás fazendo a cabeça do garoto. O Renan não sabia de nada, não sabia das histórias. Tanto que depois, quando a gente estava lá em Resende, eu via que ele vivia muito em conflito em relação a isso, porque o pai falava uma coisa, a mãe falava outra e ele ficava muito em conflito por causa disso. Aí um dia eu sentei com ele e contei a história toda pra ele. Falei “Ó: vou te contar porque…” Aí eu contei tudo para ele. Aí ele falou: “Pô, então meu pai que falava a verdade”, Aí eu disse: “Teu pai que falava a verdade, tua mãe que te usava”. Falei “Ó, eu não quero que você mude com a sua mãe, ela pode não prestar para o mundo, mas ela é sua mãe, você tem que respeitar ela, mas você tem o direito de saber o que tá errado na sua história aí”. Entendeu? O que ela tava fazendo com o garoto é… sabe? Ela sempre jogando o garoto contra o pai, sempre jogando o garoto contra o pai, eu achava aquilo um absurdo. Era lavagem cerebral totalmente. Olha, é uma novela, uma luta.

Você já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Clique aqui.

Mais lidas
Siga as redes do Guilherme Amado
Últimas da coluna