Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Lucas Marchesini

“Deveríamos ter convocado o Braga Netto”, diz presidente da CPI

Em entrevista à coluna, Aziz afirmou que a comissão deveria ter ouvido o general Braga Netto, que coordenou o comitê de crise da Covid

atualizado 20/10/2021 10:12

O presidente da CPI da Pandemia, senador Omar Aziz, afirmou que a comissão deveria ter convocado o general Walter Braga Netto, ministro da Defesa e ex-ministro da Casa Civil que coordenou o comitê de crise da Covid. Apesar de minimizar as discordâncias sobre o duro e extenso relatório final, redigido por Renan Calheiros, Aziz criticou o pedido de indiciamento do pastor Silas Malafaia por fake news.

Em entrevista à coluna na noite dessa terça-feira (19/10), Aziz também declarou que vê grandes chances de os órgãos de controle abrirem investigações com base no relatório final. Enquanto se dirigia à casa do senador Tasso Jereissati para o último encontro informal do colegiado antes da leitura do parecer, Aziz negou que o grupo estivesse rachado.

Leia os principais trechos da entrevista:

A CPI rachou no fim? O senhor e o relator, Renan Calheiros, tiveram discordâncias sobre o parecer final. 

Vamos decidir tudo em grupo. Depois de seis meses trabalhando, não será no fim que não ficaremos unidos. Essas discordâncias são coisas menores. A questão maior é fazer a justiça que a gente sempre procurou. É claro que o grupo tem discordâncias. Não é ditadura. Eu e Renan temos maturidade, como pede a longa experiência política.

O que achou do relatório preliminar que Renan enviou a colegas na terça-feira (19/10)? Bolsonaro foi acusado de genocídio. 

O crime de genocídio pelo presidente e o de advocacia administrativa pelo Flávio Bolsonaro são considerados os mais polêmicos pelos senadores. Não sou favorável a pedir o indiciamento do pastor Silas Malafaia. Se a gente for indiciar o Silas Malafaia, vamos ter de indiciar milhões de pessoas que também agrediram, atacaram… Não é por aí. Perderia muito o foco da CPI. Não vejo o Malafaia envolvido na compra de vacinas. Ele tem sua posição e responde por ela. Se alguém se sentiu ofendido por ele, tem meios de fazer uma cobrança judicial. Não por meio da CPI.

E Luciano Hang?

O Hang é totalmente diferente. Ele e Carlos Wizard queriam comprar vacinas, fizeram lives propagando medicamentos ineficazes. O Wizard passou um mês no Ministério da Saúde. O Hang bancou sites negacionistas.

O senhor mantém a intenção de responsabilizar as redes sociais por fake news?

Sim, mas ainda vamos decidir isso.

O que fica da CPI?

Um dos maiores legados foi o avanço na vacinação dos brasileiros. Voltamos a debater politicamente os problemas do Brasil, não da forma unilateral como era antes. Quando havia uma denúncia contra o presidente ou o governo, o presidente ia lá no cercadinho do Palácio da Alvorada, pegava seus robôs e desconstruía o caso durante o dia todo. Isso acabou. A imprensa noticiou muitos desajustes na pandemia, e ninguém do governo tomava posição. Entrava por um ouvido e saía por outro. A Justiça não agia, a CGU não agia, o MP não agia. Passaram a agir agora.

O senhor espera que os órgãos de controle abram investigações com base no relatório final da CPI? 

A cobrança será muito grande. Dificilmente alguém vai matar isso no peito e não investigar. Se a punição dos responsáveis acontecer, o que a gente espera que aconteça, o próximo presidente não vai cometer os mesmos erros em uma nova pandemia.

A CPI errou em não convocar o general Walter Braga Netto, que como ministro da Casa Civil comandou o comitê de crise da Covid no início da pandemia?

O Braga Netto tinha de ser convocado. Era o certo. Ele era o coordenador. Ninguém estaria chamando o general Braga Netto, mas o ministro que era o coordenador da maior crise sanitária que o mundo já viveu. Todas essas ações foram equivocadas e inócuas, e chegamos ao número de mortos que está aí.

A comissão deixou apurações importantes pelo caminho?

Sim. São três pontos principais. Primeiro, os hospitais federais do Rio de Janeiro. Em plena pandemia, houve aumento de custeio e queda de atendimento. Vamos encaminhar isso para o MPF do Rio de Janeiro. Também não tivemos tempo para aprofundar a questão das fake news. E a questão da VTCLog, aqueles recursos que foram retirados no banco pelo motoboy, esperamos que o MP possa rastrear para onde foi aquele dinheiro.

A gestão da pandemia pelo governo Bolsonaro é defensável em algum aspecto?

Foi um desastre. Entra o Pazuello no Ministério da Saúde, as coisas desandam muito, entra o Queiroga e também não entra no rumo. Em abril, o Queiroga disse na CPI que não queria se posicionar sobre o tratamento precoce. Até hoje o Ministério da Saúde não se posicionou. E o mundo todo já sabe que isso não serve para nada.

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