
Guilherme AmadoColunas

Associação de investidores vai à Justiça contra Esh Capital e Timerman
Ação civil pública à Justiça de São Paulo acusa gestora Esh e Timerman de manipularem preços e gerarem prejuízos a investidores
atualizado
Compartilhar notícia

A Associação Brasileira de Investidores (Abradin) apresentou à Justiça de São Paulo uma ação contra a gestora de fundos de investimentos Esh Capital e seu administrador, Vladimir Timerman.
Protocolada no começo da semana passada, a ação civil pública acusa a Esh de causar prejuízos a investidores, manipular preços no mercado e criar “condições artificiais de demanda” para lucrar com cotas do fundo Esh Theta.
Segundo a Abradin, o processo foi apresentado depois de a entidade ter recebido reclamações de associados, que cobravam medidas contra a gestora. Timerman é conhecido no mercado por comprar participações minoritárias em empresas e, a partir destas posições, partir para o embate contra os controladores – usando, quase sempre, métodos controversos.
Um dos conflitos mais notórios do investidor nessa seara se dá na incorporadora Gafisa, em uma briga em que ele se opõe a Nelson Tanure, maior acionista da companhia. A ação na Justiça contra a Esh acusa a gestora de manipulações e ilegalidades em relação à Gafisa e outras duas empresas: a Terra Santa Propriedades Agrícolas e a Mobly.
A Abradin afirmou no processo que Timerman se vale de sua condição de influenciador no meio financeiro para espalhar nas redes sociais informações falsas e deturpadas a respeito das empresas. Com isso, teria lucros em suas posições e causaria prejuízos a investidores.
A entidade pede que a Justiça de São Paulo proíba o investidor e a Esh de promoverem operações fraudulentas e manipulação de preços e os condene a ressarcir investidores e acionistas lesados e a pagar indenização por danos morais coletivos. O valor mínimo citado a título de reparação é de R$ 20 milhões.
(Atualização às 19h30 do dia 6 de abril de 2024: Timerman enviou nota em que diz que ainda não houve citação formal sobre o conteúdo da ação, para que possa se defender. Diz a nota: “Notícias de veículos da mídia dão conta de que a Abradin teria atuado visando a satisfação de interesses de certos envolvidos em disputas societárias no mercado de capitais, como pode ser verificado em pesquisas na internet. Em nenhum momento a Abradin procurou a Esh Capital para ter informações ou esclarecimentos sobre quaisquer casos ou disputas em que esteja envolvida, tampouco oportunizou à Esh Capital o contraditório acerca de eventuais acusações que tenha tomado conhecimento, o que denota uma possível atuação em conjunto com parte envolvida nessas disputas. Entendemos que essa ação civil pública é mais uma parte de uma estratégia de retaliação deflagrada com objetivo de impedir a atuação da Esh Capital, promovida por envolvidos nas ações judiciais e arbitragens instauradas que visam a reparação dos prejuízos causados a companhias de capital aberto e, indiretamente, seus acionistas.
A Esh Capital declara que exercerá seus direitos de defesa com total tranquilidade e que comprovará o total descabimento e improcedência das acusações feitas pela Abradin, confiando que o Poder Judiciário perceberá que essa medida instrumentaliza interesses obscuros e que julgará improcedente a ação.
Por fim, lamentamos e repudiamos que associações supostamente constituídas para defesa de investidores façam mal uso de ações civis públicas, visando a atender interesses individuais e ilegítimos de grandes investidores, muitas vezes com histórico de condenações por ilícitos e irregularidades no mercado de capitais, fomentando ainda mais o preconceito crescente contra este instrumento que poderia ter papel importante na tutela coletiva dos interesses dos investidores”.)