Guilherme Amado

Apoiadores da filha de Cunha cobram voto de empregados da campanha

Ouça áudio; “Vamos mostrar para ela que estamos dispostos a votar nela”, diz pastor que organiza reunião com Danielle Cunha

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Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha
1 de 1 Danielle Cunha, filha de Eduardo Cunha - Foto: Reprodução

Apoiadores da filha do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, a publicitária Danielle Cunha, pré-candidata à Câmara pelo União Brasil, têm cobrado que interessados em trabalhar na campanha votem na candidata. Procurada, Danielle Cunha negou conhecer os apoiadores que têm feito a oferta.

Mensagens enviadas por apoiadores da pré-candidata apontam que Danielle encontrará os possíveis funcionários nesta quarta-feira (20/7). No grupo de WhatsApp “Equipe Estiva”, com a foto da publicitária, o pastor Leonel Montenegro, que se apresenta como “coordenador da campanha da Dani Cunha”, ofereceu vagas de emprego para quem quiser atuar na campanha. O nome do grupo é uma referência à Estrada da Estiva, em Sepetiba, bairro da Zona Oeste do Rio de Janeiro.

Montenegro pediu uma demonstração de “força política” no encontro com Danielle, nesta quarta-feira, e ressaltou que os candidatos ao serviço deveriam “mostrar para ela que estamos dispostos a votar nela”.

“Quando ela [Danielle Cunha] chegar, [vamos] bater palma, fazer o nosso melhor para mostrar que nós estamos animados para trabalhar e que temos uma base política forte, resistente, para que a gente possa ir para a rua balançar nossas bandeiras, segurar nossas placas, fazer o boca a boca e principalmente mostrar para ela que estamos dispostos a votar nela”, disse Montenegro.

No áudio, o coordenador estimou até 300 vagas de trabalho, com pagamentos chegando a R$ 250.

“No dia 20, 4 horas da tarde, nós vamos ter a primeira reunião com a Dani Cunha, nossa pré-candidata a deputada federal”, afirmou Leonel Montenegro. “Então, nós precisamos levar o maior número de pessoas para lá. Por quê? Porque quanto mais gente eu colocar nessa reunião, a base fica forte e ela vai poder assim nos liberar mais vagas para trabalho. Ela me liberando 200, 300 vagas para trabalho, o que que eu vou fazer?”, prosseguiu.

Segundo esse áudio, os participantes da reunião terão prioridade nessas contratações: “Vocês que estarão lá no dia, que estarão com o nome na lista, serão os primeiros a ser chamados. A gente não pode falar de valor ainda porque a gente ainda não sabe, mas quem já trabalhou com política sabe que provavelmente é 100, 150, 200, 250 [reais]”.

O áudio cita duas funcionárias da “supervisão”: Isis e Miriam. Isis foi a criadora do grupo. Questionada pela coluna sobre como os funcionários serão selecionados, Isis afirmou: “A gente só vai saber amanhã [quarta-feira] na reunião”. Perguntada se os funcionários terão de votar em Danielle Cunha, respondeu: “Olha, eu não vi isso que precisa votar nela não, mas seria bom que votasse, né? É o Leonel que está resolvendo essas coisas”.

Procurado, Leonel afirmou que é um pastor e está organizando a reunião com Danielle Cunha, a quem ele diz admirar. “A gente precisa mostrar disposição, sim, porque se nós decidirmos conhecer uma pré-candidata…”, disse. “É uma reunião organizada por um cidadão que admira a postura dela. Vou conhecê-la na reunião amanhã [quarta-feira]. Aluguei um espaço para poder recebê-la. Se possível e quando liberado ir para as ruas, vou estar lá, com a equipe”, completou, minimizando sua mensagem no grupo.

Em uma mensagem encaminhada individualmente a participantes desse grupo de apoiadores de Danielle Cunha, há uma menção direta ao crime eleitoral de boca de urna. No dia da votação, em 2 de outubro neste ano, a Justiça Eleitoral proíbe fazer propaganda de candidatos. O crime tem pena de detenção de até um ano.

“Meus queridos amigos, estamos montando uma equipe para panfletagem no dia da eleição. Pensei  em você!”, afirmou a mensagem, que elencou entre os “critérios” “votar na nossa Deputada Federal Dani Cunha”. O horário previsto para o trabalho no dia da votação é 8h às 17h, por um pagamento de R$ 100.

Essa mensagem também pediu informações pessoais, a exemplo do número do título de eleitor desse provável funcionário, além de zona eleitoral e seção eleitoral.

Procurada, Danielle Cunha negou conhecer os envolvidos ou o grupo de WhatsApp. Confirmou que irá a Sepetiba nesta quarta-feira (20/7), mas afirmou não encontrará Leonel ou Isis. “Isso é uma fraude visando a me criar problemas, certamente vinda de inimigos políticos. Não tenho reunião com nenhum Leonel Montenegro, nenhuma Isis. Não sei quem são essas pessoas”, afirmou.

(Atualização, às 16h30 de 20 de julho de 2022: após a publicação da reportagem, Danielle Cunha enviou nota em que as pessoas citadas não fazem parte de sua equipe, que “só terá quadros efetivos após a convenção e o efetivo registro da candidatura”. “Desconheço qualquer convocação e até mesmo a suposta reunião citada, que não faz parte da minha agenda da data de hoje. (…) A minha candidatura quando oficializada, poderá e deverá contar com auxílio de pessoas que poderão ser efetivamente contratadas, registradas e pagas pela campanha, como qualquer outra campanha, dentro da normas eleitorais vigentes, declaradas à Justiça Eleitoral e para atividades permitidas pela legislação, sem qualquer obrigação com apoio eleitoral em contrapartida”, afirmou a candidata na nota. Danielle afirmou que Sepetiba é uma região pela qual briga “abertamente em nome da população”, e onde, devido a “complicações locais”, já teriam sido disseminadas informações falsas com o objetivo de prejudicá-la e ocorrido episódios que teriam colocado sua segurança em risco.)

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