Com Bruna Lima, Edoardo Ghirotto, Eduardo Barretto e Naomi Matsui

Aplicativo do ministério receitava cloroquina a partir de dois sintomas, diz TCU

“Capitã Cloroquina” não comprovou depoimento à CPI, escreveu ministro

atualizado 04/08/2021 21:31

Vital do RêgoTCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que bastavam dois sintomas genéricos para que o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde, prescrevesse remédios ineficazes contra a Covid. O documento, assinado pelo ministro Vital do Rêgo, foi enviado em sigilo à CPI e obtido pela coluna.

Se o cidadão informasse ao aplicativo do governo estar apenas com dor de cabeça e náuseas, por exemplo, já receberia a prescrição de remédios ineficazes contra a Covid. Hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, remédios defendidos publicamente por Jair Bolsonaro e auxiliares, estão nessa lista.

Com isso, além de recomendar medicamentos que não funcionavam e poderiam causar mal ao paciente, o aplicativo do ministério corria o risco de receitar remédios a quem não estava com Covid. O ministro baseou-se em uma análise da Secretaria de Fiscalização em Tecnologia da Informação do TCU (Sefti).

Vital do Rêgo afirmou ainda que Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde conhecida como “Capitã Cloroquina” e responsável pelo aplicativo, não enviou ao TCU documentos que provassem sua declaração à CPI, em 25 maio, de que o app havia sofrido uma “extração indevida de dados”. Cinco dias antes, o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, havia dito aos senadores que o aplicativo fora alvo de um ataque hacker.

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“A documentação mencionada em que se ventila tal possibilidade (boletim de ocorrência, decorrente de ataques ou extrações de dados do TrateCov e relatório, laudo pericial ou equivalente da perícia para apurar o caso), apesar de solicitada, não foi encaminhada à equipe da Sefti, como também, conforme apurado pela mesma equipe e ao que tudo indica, não foi entregue à CPI”, escreveu o ministro Vital do Rêgo. Na semana passada, o TCU aprovou uma auditoria da área técnica que considerou que o aplicativo não sofreu nenhuma violação.

Nesta quarta-feira (4/8), o tribunal impôs mais um desgaste ao governo Bolsonaro: abriu processos contra Pazuello, o coronel Élcio Franco, ex-número dois do ministério, e outros dois auxiliares da pasta pela atuação durante a pandemia.

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