Aplicativo do ministério receitava cloroquina a partir de dois sintomas, diz TCU
“Capitã Cloroquina” não comprovou depoimento à CPI, escreveu ministro

O Tribunal de Contas da União (TCU) apontou que bastavam dois sintomas genéricos para que o TrateCov, aplicativo do Ministério da Saúde, prescrevesse remédios ineficazes contra a Covid. O documento, assinado pelo ministro Vital do Rêgo, foi enviado em sigilo à CPI e obtido pela coluna.
Se o cidadão informasse ao aplicativo do governo estar apenas com dor de cabeça e náuseas, por exemplo, já receberia a prescrição de remédios ineficazes contra a Covid. Hidroxicloroquina, ivermectina, azitromicina, remédios defendidos publicamente por Jair Bolsonaro e auxiliares, estão nessa lista.
Com isso, além de recomendar medicamentos que não funcionavam e poderiam causar mal ao paciente, o aplicativo do ministério corria o risco de receitar remédios a quem não estava com Covid. O ministro baseou-se em uma análise da Secretaria de Fiscalização em Tecnologia da Informação do TCU (Sefti).
Vital do Rêgo afirmou ainda que Mayra Pinheiro, secretária do Ministério da Saúde conhecida como “Capitã Cloroquina” e responsável pelo aplicativo, não enviou ao TCU documentos que provassem sua declaração à CPI, em 25 maio, de que o app havia sofrido uma “extração indevida de dados”. Cinco dias antes, o general Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde, havia dito aos senadores que o aplicativo fora alvo de um ataque hacker.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles“A documentação mencionada em que se ventila tal possibilidade (boletim de ocorrência, decorrente de ataques ou extrações de dados do TrateCov e relatório, laudo pericial ou equivalente da perícia para apurar o caso), apesar de solicitada, não foi encaminhada à equipe da Sefti, como também, conforme apurado pela mesma equipe e ao que tudo indica, não foi entregue à CPI”, escreveu o ministro Vital do Rêgo. Na semana passada, o TCU aprovou uma auditoria da área técnica que considerou que o aplicativo não sofreu nenhuma violação.
Nesta quarta-feira (4/8), o tribunal impôs mais um desgaste ao governo Bolsonaro: abriu processos contra Pazuello, o coronel Élcio Franco, ex-número dois do ministério, e outros dois auxiliares da pasta pela atuação durante a pandemia.











