Guilherme Amado

“A Galinha Pintadinha pede que as crianças se vacinem”, diz criador 

“As pessoas querem viver num país onde estejam vacinadas e protegidas. Essa é a verdadeira liberdade”, afirma Juliano Prado em entrevista

atualizado

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Galinha Pintadinha/Divulgação
Juliano Prado, criador da Galinha Pintadinha
1 de 1 Juliano Prado, criador da Galinha Pintadinha - Foto: Galinha Pintadinha/Divulgação

No início do ano, Juliano Prado, sócio-criador da Galinha Pintadinha, recebeu uma proposta para a querida personagem infantil transformar-se na Galinha Vacinadinha e aparecer se vacinando contra a Covid. Deu certo. Desde a terça-feira (18/1), a Galinha estrela uma campanha do governo paulista para a vacinação infantil, tão atacada pelo governo Bolsonaro. Em entrevista à coluna, Juliano Prado afirmou que além de cantigas populares, a marca pretende resgatar a tradição brasileira de se vacinar.

“A Galinha pede e apoia que as crianças e os pais das crianças se vacinem para a gente continuar bem. Vamos ver se a gente contribui um pouquinho para manter a tradição de ser um país onde as pessoas são vacinadas, um país civilizado”, disse.

Prado também contou os próximos passos da Galinha, que incluem mais aparições defendendo a imunização, negociações com a China e um novo álbum musical após nove anos.

Leia os principais trechos da entrevista.

Como foi a negociação com o governo de São Paulo para transformar a Galinha Pintadinha na Galinha Vacinadinha?

A negociação durou cerca de dez dias, foi jogo rápido. Topamos porque é uma causa que a gente apoia. Não teve muito dilema. Para a gente, é o certo. Muitas animações foram aproveitadas da série que já tínhamos lançado. Outras precisaram ser criadas, como a da carteira de vacinação, a galinha levando a picadinha com uma pena de pavão (risos). A gente já tinha feito uma campanha de vacinação contra a poliomelite e o sarampo em 2018 com o Ministério da Saúde [no governo Michel Temer]. Participamos com o Zé Gotinha, a Xuxa e personagens infantis.

A Galinha Pintadinha terá mais participações na campanha de vacinação contra a Covid do governo paulista?

Sim. O governo pode usar as peças por um ano. Haverá surpresas.

Galinha Pintadinha

Quais serão os próximos passos da Galinha?

Temos trabalhado no nosso xodó, que chamo de nosso DVD cinco (risos). Será o quinto álbum de músicas da Galinha Pintadinha, que não lançávamos há nove anos. O primeiro foi em 2008. Pretendemos lançar uma música nova por mês, começando em 4 de fevereiro por “Trem de ferro” [“O trem de ferro, quando sai de Pernambuco, vem fazendo xique xique para chegar no Ceará. Rebola bola, você diz que dá que dá”]. No meio do ano, devemos divulgar o álbum completo com 14 músicas. O Marcos [Marcos Luporini], meu sócio, é produtor musical e vem trabalhando nas músicas há algum tempo.

A marca se expandirá para mais países?

Sim. Já fizemos tradução das músicas e séries. A Galinha passou na televisão da Itália e estamos em negociações com a China. Estamos na Índia também. O vídeo de “Trem de ferro”, em fevereiro, será lançado uma semana depois daqui em uma versão em espanhol. Nosso forte internacionalmente é o conteúdo em espanhol, na América Latina. Às vezes o espanhol fica quase igual ao português em número de acessos.

O negócio mudou com o isolamento provocado pela Covid? 

Nos primeiros meses de pandemia, a parte de licenciamento de produtos físicos sofreu bastante com o comércio fechado. Por outro lado, houve um consumo maior de mídia, de vídeos. Mas a receita com a monetização não crescia, porque isso está ligado aos anúncios do Google. Com o tempo, isso foi se equilibrando. A grosso modo, estamos com uma audiência um pouco maior e uma receita um pouco menor do que tínhamos antes. Esperamos voltar com os nossos shows, que estão parados há dois anos.

O que acha de a Galinha ter sido vista mais de 33 bilhões de vezes no YouTube

Às vezes até eu perco a noção. A Galinha Pintadinha fez um resgate do cancioneiro popular e também tem um fator até utilitário. Realmente a criança se concentra ali. É o que a gente mais ouve dos pais. Foi uma coisa que a gente fez sem muita intenção. É uma relação que não entendemos, da criança com a Galinha naquele desenho, que foi feito daquele jeito mais por limitações orçamentárias do que qualquer outra coisa (risos).

Qual é o recado da Galinha Pintadinha para as crianças na pandemia?

A Galinha pede e apoia que as crianças e os pais das crianças se vacinem para a gente continuar bem. Isso é baseado na Anvisa, na Sociedade Brasileira de Pediatria, na experiência internacional. Com a campanha, conseguimos colaborar com nosso poder de comunicação. Mesmo com toda a problemática, o Brasil provou que é um país que aprova a vacinação, que tem um histórico na vacinação. É uma tradição brasileira. E já que a gente gosta de resgatar as tradições, vamos ver se a gente contribui um pouquinho para manter a tradição de ser um país onde as pessoas são vacinadas, um país civilizado. As pessoas querem viver num país onde estejam vacinadas e protegidas. Essa é a verdadeira liberdade, né?

Galinha Pintadinha

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A vacina é específica para crianças e tem concentração diferente da utilizada em adultos. A dose da Comirnaty equivale a um terço da aplicada em pessoas com mais de 12 anos
A tampa do frasco da vacina virá na cor laranja, para facilitar a identificação pelas equipes de imunização e também por pais, mães e cuidadores que levarão as crianças para receberem a aplicação do fármaco
Desde o início da pandemia, mais de 300 crianças entre 5 e 11 anos morreram em decorrência do coronavírus no Brasil
Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias. Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no público infantil é significativa. Fora o número de mortes, há milhares de hospitalizações
De acordo com a Fiocruz, vacinar crianças contra a Covid é necessário para evitar a circulação do vírus em níveis altos, além de assegurar a saúde dos pequenos
A Anvisa aprovou, em 16 de dezembro, a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos. Para isso, será usada uma versão pediátrica da vacina, denominada Comirnaty
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A Anvisa aprovou, em 16 de dezembro, a aplicação do imunizante da Pfizer em crianças de 5 a 11 anos. Para isso, será usada uma versão pediátrica da vacina, denominada Comirnaty

baona/Getty Images
A vacina é específica para crianças e tem concentração diferente da utilizada em adultos. A dose da Comirnaty equivale a um terço da aplicada em pessoas com mais de 12 anos
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A vacina é específica para crianças e tem concentração diferente da utilizada em adultos. A dose da Comirnaty equivale a um terço da aplicada em pessoas com mais de 12 anos

Igo Estrela/ Metrópoles
A tampa do frasco da vacina virá na cor laranja, para facilitar a identificação pelas equipes de imunização e também por pais, mães e cuidadores que levarão as crianças para receberem a aplicação do fármaco
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A tampa do frasco da vacina virá na cor laranja, para facilitar a identificação pelas equipes de imunização e também por pais, mães e cuidadores que levarão as crianças para receberem a aplicação do fármaco

Aline Massuca/Metrópoles
Desde o início da pandemia, mais de 300 crianças entre 5 e 11 anos morreram em decorrência do coronavírus no Brasil
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Desde o início da pandemia, mais de 300 crianças entre 5 e 11 anos morreram em decorrência do coronavírus no Brasil

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Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias. Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no público infantil é significativa. Fora o número de mortes, há milhares de hospitalizações
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Isso corresponde a 14,3 mortes por mês, ou uma a cada dois dias. Além disso, segundo dados do Ministério da Saúde, a prevalência da doença no público infantil é significativa. Fora o número de mortes, há milhares de hospitalizações

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De acordo com a Fiocruz, vacinar crianças contra a Covid é necessário para evitar a circulação do vírus em níveis altos, além de assegurar a saúde dos pequenos
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De acordo com a Fiocruz, vacinar crianças contra a Covid é necessário para evitar a circulação do vírus em níveis altos, além de assegurar a saúde dos pequenos

Vinícius Schmidt/Metrópoles
Contudo, desde o aval para a aplicação da vacina em crianças, a Anvisa vem sofrendo críticas de Bolsonaro, de apoiadores do presidente e de grupos antivacina
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Contudo, desde o aval para a aplicação da vacina em crianças, a Anvisa vem sofrendo críticas de Bolsonaro, de apoiadores do presidente e de grupos antivacina

HUGO BARRETO/ Metrópoles
Para discutir imunização infantil, o Ministério da Saúde abriu consulta pública e anunciou que a vacinação pediátrica teria início em 14 de janeiro. Além disso, a apresentação de prescrição médica não será obrigatória
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Para discutir imunização infantil, o Ministério da Saúde abriu consulta pública e anunciou que a vacinação pediátrica teria início em 14 de janeiro. Além disso, a apresentação de prescrição médica não será obrigatória

Igo Estrela/ Metrópoles
Inicialmente, a intenção do governo era exigir prescrição. No entanto, após a audiência pública realizada com médicos e pesquisadores, o ministério decidiu recuar
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Inicialmente, a intenção do governo era exigir prescrição. No entanto, após a audiência pública realizada com médicos e pesquisadores, o ministério decidiu recuar

Divulgação/ Saúde Goiânia
De acordo com a pasta, o imunizante usado será o da farmacêutica Pfizer e o intervalo sugerido entre cada dose será de oito semanas. Caso o menor não esteja acompanhado dos pais, ele deverá apresentar termo por escrito assinado pelo responsável
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De acordo com a pasta, o imunizante usado será o da farmacêutica Pfizer e o intervalo sugerido entre cada dose será de oito semanas. Caso o menor não esteja acompanhado dos pais, ele deverá apresentar termo por escrito assinado pelo responsável

Hugo Barreto/ Metrópoles
Além disso, apesar de não ser necessária a prescrição médica para vacinação, o governo federal recomenda que os pais procurem um profissional da saúde antes de levar os filhos para tomar a vacina
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Além disso, apesar de não ser necessária a prescrição médica para vacinação, o governo federal recomenda que os pais procurem um profissional da saúde antes de levar os filhos para tomar a vacina

Aline Massuca/ Metrópoles
Segundo dados da Pfizer, cerca de 7% das crianças que receberam uma dose da vacina apresentaram alguma reação, mas em apenas 3,5% os eventos tinham relação com o imunizante. Nenhum deles foi grave
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Segundo dados da Pfizer, cerca de 7% das crianças que receberam uma dose da vacina apresentaram alguma reação, mas em apenas 3,5% os eventos tinham relação com o imunizante. Nenhum deles foi grave

Igo Estrela/Metrópoles
Países como Israel, Chile, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Argentina e Cuba, e a própria União Europeia, por exemplo, são alguns dos locais que autorizaram a vacinação contra a Covid-19 em crianças
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Países como Israel, Chile, Canadá, Colômbia, Reino Unido, Argentina e Cuba, e a própria União Europeia, por exemplo, são alguns dos locais que autorizaram a vacinação contra a Covid-19 em crianças

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Nos Estados Unidos, a imunização infantil teve início em 3 de novembro. Até o momento, mais de 5 milhões de crianças já receberam a vacina contra Covid-19. Nenhuma morte foi registrada e eventos adversos graves foram raros
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Nos Estados Unidos, a imunização infantil teve início em 3 de novembro. Até o momento, mais de 5 milhões de crianças já receberam a vacina contra Covid-19. Nenhuma morte foi registrada e eventos adversos graves foram raros

baona/Getty Images
A decisão do Ministério da Saúde de prolongar o intervalo das doses do imunizante contraria a orientação da Anvisa, que defende uma pausa de três semanas entre uma aplicação e outra para crianças de 5 a 11 anos
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A decisão do Ministério da Saúde de prolongar o intervalo das doses do imunizante contraria a orientação da Anvisa, que defende uma pausa de três semanas entre uma aplicação e outra para crianças de 5 a 11 anos

Rafaela Felicciano/Metrópoles

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