Vereador do PSol suspeito de favorecer facção ultraviolenta é afastado
Segundo a Polícia Civil do Amapá, a facção dava apoio político em troca de vantagens como emprego, cestas básicas e consultas privilegiadas

O vereador Daniel Theodoro (PSol), de Macapá (AP), foi afastado do cargo por suspeita de atuar para favorecer pessoas vinculadas à facção criminosa ultraviolenta Família Terror do Amapá.
O Metrópoles apurou que, segundo as investigações da Divisão de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da Polícia Civil do Amapá, a facção organizava apoio político e mobilização comunitária em troca de obtenção de vagas de emprego em empresas terceirizadas, fornecimento de cestas básicas, consultas médicas privilegiadas pelo SUS, passagens aéreas e facilidades no cumprimento de pena no sistema penitenciário.
No caso do vereador, a polícia identificou possível intermediação e apadrinhamento do parlamentar para contratação de indicados do grupo criminoso. Daniel Theodoro também teria recebido R$ 7 mil, via Pix, por uma suposta laranja de Valdilene Viegas da Silva, esposa de Gilberto Rebelo de Sousa, conhecido como “Betinho”. Ambos são apontados como lideranças da Família Terror do Amapá.
O dinheiro seria o pagamento por uma indicação para emprego público. Valdilene teria relatado a uma interlocutora que esperava que Daniel Theodoro conseguisse para ela “um vínculo pelo estado”.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande Angular“Neste momento tenho que os elementos anexados indicam robustos indícios de valores indevidamente repassados ao vereador Daniel, eis que transferidos por pessoa com fortes indícios de se apresentar como integrante de organização criminosa (Valdilene), após intensa comunicação e pedidos de favorecimento pessoal”, diz trecho da decisão da Central de Garantias do Tribunal de Justiça do Amapá (TJ-AP), expedida na noite de segunda-feira (12/10).
Com autorização da Central de Garantias do TJ-AP, a Draco deflagrou a Operação Cavalo de Tróia, nesta quinta-feira (15/10), e cumpriu nove mandados de busca e apreensão em residências, em gabinetes da Câmara de Vereadores de Macapá e no Instituto de Administração Penitenciária do Amapá.
O TJ-AP determinou a suspensão da convocação, posse ou exercício do mandato de vereador e proibição de acesso à Câmara de Macapá do suplente de vereador Odilson Serra Nunes. Ele é suspeito de ingerência na rede pública de saúde para furar fila e agilizar consultas e procedimentos médicos privilegiados, além de fornecer transporte e passagens e realizar interlocução para obter “benesses penitenciárias”.
Também foram afastados das funções públicas: o diretor do Departamento de Ressocialização e Cidadania do Instituto de Administração Penitenciária do Amapá (Iapen), Henrique Cardoso Lemos, e a funcionária da Ouvidoria da Câmara de Vereadores de Macapá Kelly Cristina Pereira Pacheco.
Lemos é suspeito de acolher solicitações de Valdilene Viegas e de Odilson Nunes para “favorecimentos administrativos carcerários” de Betinho. Já Kelly Cristina é investigada por supostamente operar a parte burocrática do esquema com recebimento de currículos de pessoas indicadas do grupo criminoso e encaminhamento das demandas de saúde pública e passagens aéreas.
A Polícia Civil do Amapá chegou a pedir a prisão do vereador e do suplente, mas o juiz de direito da Central de Garantias do TJAP, José Castelloes Menezes Neto, negou e determinou o afastamento.
Facção
A Família Terror do Amapá é uma organização criminosa interestadual com atuação no Amapá, Pará e Amazonas, apontada pelas autoridades como responsável por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Betinho é descrito como líder do grupo e atuaria a partir da prisão, mediante utilização de números telefônicos, com a gestão financeira e logística exercida por Valdilene Viegas. Segundo as investigações, ela teria movimentado R$ 4,5 milhões por meio de contas de familiares.
A Polícia Civil do Amapá afirmou que a Operação Cavalo de Tróia, deflagrada nesta quinta-feira, é desdobramento de investigações anteriores que revelaram “sistemática de troca de favores entre lideranças de uma facção criminosa e membros do poder público”.
“As investigações revelaram um grave esquema de uso espúrio de mandatos e funções administrativas para operacionalizar o loteamento de postos de trabalho e a concessão de privilégios em benefício de integrantes da facção criminosa Família Terror do Amapá (FTA), classificada como uma organização criminosa ultraviolenta”, enfatizou a corporação.












