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TRE-DF aceita denúncia contra deputado Roosevelt por crimes eleitorais

O deputado questionou demora para conclusão do inquérito, de 2018, e afirmou que irá “provar inocência”

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
TRE-DF aceita denúncia contra deputado Roosevelt por crimes eleitorais

O Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) aceitou, nessa quinta-feira (24/9), uma denúncia contra o deputado distrital e candidato à reeleição Roosevelt Vilela (PL). O parlamentar foi acusado de praticar corrupção, coação e falsidade ideológica eleitoral durante o pleito de 2018.

Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Eleitoral, mesmo após deixar o cargo de administrador do Núcleo Bandeirante para concorrer nas eleições de 2018, Roosevelt “usou sua influência para converter os cargos em comissão das administrações do Núcleo Bandeirante, Park Way e Candangolândia em instrumento de captação de votos e de sustentação material da campanha”.

O MPE apontou que, na época, ele teria prometido cargos em troca de declaração de apoio. “Como contrapartida da nomeação ou da permanência no cargo, os beneficiários deveriam declarar apoio à candidatura de Roosevelt, votar no denunciado, participar ativamente de sua campanha e arregimentar eleitores entre familiares, amigos e conhecidos. Para aferir o cumprimento do compromisso assumido, exigia-se dos servidores o preenchimento de fichas ou talonários contendo aproximadamente 100 nomes de eleitores, acompanhados de dados pessoais e de informações que permitiam o posterior monitoramento e a confirmação da intenção de voto“, disse a denúncia.

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O órgão destacou que Roosevelt teria ameaçado servidores comissionados das Administrações Regionais para votar nele. “As ameaças partiam do próprio denunciado, que convocava reuniões com os servidores comissionados por ele indicados, e eram reproduzidas por chefias a ele vinculadas nas Administrações Regionais”, escreveu a 11ª Promotoria de Justiça Eleitoral.

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Além das ameaças, Roosevelt teria utilizado grande parte dos servidores nomeados nas administrações para integrarem a estrutura operacional da campanha. “O denunciado não apenas se valeu do controle que exercia sobre cargos em comissão para obter votos e arregimentar eleitores, mediante oferta de vantagem e emprego de grave ameaça, como também utilizou essa estrutura para mobilizar mão de obra em favor de sua candidatura, omitindo, em seguida, tais informações da prestação de contas submetida à Justiça Eleitoral”, completou o MPE.

O juiz Bruno André Silva Ribeiro, do TRE-DF, aceitou a denúncia contra Roosevelt. O magistrado afirmou que “existem, em uma análise preliminar, elementos mínimos os quais indicam a prática das condutas descritas na inicial acusatória, o que é suficiente para lastrear a denúncia, nesta fase processual, e garantir, por conseguinte, a instauração da ação penal”.

Na decisão, o juiz deu 10 dias para Roosevelt se manifestar.

O que diz o outro lado

Procurado, Roosevelt disse ter “estranhado que o fato apurado há oito anos em nível de inquérito policial, de quando eu administrador regional, não conseguiu consolidar nada nesse período, chegue ao tribunal somente agora”.

“Nos causa estranheza que agora, a dez dias das eleições, o MP apresenta denúncia. A gente tem confiança na Justiça e que iremos provar a nossa inocência”, declarou.