Observadora do cenário político do DF, lança luz nos bastidores do poder na capital.

Promotor de Justiça diz ainda não ser possível apontar impacto da flexibilização de armas nos homicídios

Dados divulgados pela Polícia Civil do DF e Secretaria de Segurança Pública do DF apontam queda no número de homicídios cometidos na capital

atualizado 08/03/2023 18:21

Porte e porte de arma. pessoa segurando uma arma de fogo na cor preta em uma das mãos- Metrópoles Dejan Markovic / EyeEm/ Getty Images

O coordenador do Núcleo do Tribunal do Júri e de Defesa da Vida do Distrito Federal, promotor de Justiça Raoni Maciel, analisou os dados sobre homicídios na capital do país divulgados esta semana e avaliou que ainda não é possível apontar o real impacto da flexibilização de armas, promovida durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), em relação aos assassinatos cometidos com arma de fogo.

Segundo a estatística da Polícia Civil do DF (PCDF), houve queda de 35% no número dos homicídios cometidos com uso de arma de fogo, entre 2019 e 2022.

Nesta quarta-feira (8/3), Raoni destacou que houve redução de 34% no número global de homicídios no período, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do DF (SSP-DF), independentemente do tipo de arma utilizada no crime.

Os homicídios na capital da República estão em queda há 10 anos. Em 2013, foram registrados 792. Já em 2022, o número caiu para 275. Segundo Raoni, isso significa que a redução perpassa diversos governos, independente das orientações ideológicas.

“Ainda não é possível auferir as consequências da política acerca do porte de armas de fogo. De fato, para o bem e para o mal, esse tipo de política tem consequências para a segurança pública de ordem histórica, e somente as poderemos identificar – se é que poderemos – numa série histórica mais longa, e com os devidos cuidados para isolar as diversas concausas e correlações do complexo fenômeno da violência letal intencional”, afirmou Raoni.

Raoni disse que a decisão sobre os requisitos para o porte de arma de fogo é política, uma atribuição exclusiva do Congresso Nacional.

“A decisão sobre ter uma arma de fogo, satisfeitos os requisitos legais, será sempre do cidadão. Especialistas e profissionais de segurança pública temos obrigação ética de subsidiá-los, ambos, para que tomem decisões informadas. Se possível, contribuir para decisões fundadas mais em evidências que nos interesses comerciais de uma indústria que movimentou o equivalente a 3 trilhões de reais no mundo em 2021”, afirmou.

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