PF: Paulo Henrique falou com Vorcaro de cliente incompatível com realidade
A PF indiciou Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, Daniel Vorcaro e mais 13 pessoas por fraude envolvendo carteiras de crédito

A Polícia Federal afirmou que o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa identificou “pessoalmente informações incompatíveis com qualquer realidade econômica plausível” nas carteiras vendidas pelo Banco Master.
“Ainda assim, não se verifica qualquer determinação para suspensão das operações ou aprofundamento das apurações”, afirmou a PF ao indiciar Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e mais 13 pessoas, nesta quarta-feira (28/10).
Em dezembro de 2024, Paulo Henrique Costa, segundo a PF, questionou Vorcaro sobre inconsistências nas bases de crédito e destacou a situação “manifestamente incompatível com a realidade”: “’Olha o primeiro caso, Ailson F de Godoy, com o saldo de R$ 84.945,18. Qual é o salário desse cliente, se o uso da margem de 5% é nesse valor? Ele teria que, como funcionário público, ter um salário de R$ 1,6 milhão.'”

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Ver todasSegundo as investigações, a cronologia das comunicações demonstra que, desde 2024, o então presidente do BRB era informado sobre problemas relativos à qualidade dos créditos, níveis anormais de inadimplência, inconsistências matemáticas nas bases, falhas na validação das margens consignáveis, ausência de documentação comprobatória, dificuldades de acesso às averbações, pendências de auditoria e limitações regulatórias das operações.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande Angular“Apesar disso, não determinou a suspensão das aquisições. Ao contrário, permaneceu atuando para viabilizar a continuidade dos negócios e ampliar a exposição do banco às mesmas carteiras cujos problemas já conhecia”, enfatizou a corporação.
A PF indiciou Paulo Henrique Costa por gestão fraudulenta e organização criminosa com papel de liderança e presença de funcionário público.
No documento em que indicia o grupo, a PF reproduziu mensagens de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro. Em um dos diálogos, em 29 de outubro de 2024, o então presidente do BRB enviou ao dono do Master planilha contendo análise de créditos submetidos ao BRB e chamou a atenção para elevada inadimplência.
Paulo Henrique Costa disse que estava “trabalhando aqui para seguir com INSS e FGTS dessa carteira” e registrou expressamente: “Não sei como essas carteiras de outros consignados estão com 28% e 15% de inadimplência”. Vorcaro afirmou que ajustou na “taxa de venda”, e Paulo Henrique destacou que “a taxa de originação está abaixo da própria taxa de cessão”.
Vorcaro, então, questionou “até onde podemos ir”, e o ex-presidente do BRB afirmou que estava “falando com a equipe”. E pediu: “Consegue manter a das outras? Eu precisaria dar menos explicação aqui”.








