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“Nosso cabelo crespo não é ruim”, diz subsecretário do DF sobre Krespinha

Titular de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial do DF, Juvenal Araújo criticou produto lançado pela Bombril

atualizado 18/06/2020 9:40

Subsecretário de Direitos Humanos e Igualdade Racial do DF, Juvenal AraújoReprodução

O subsecretário de Políticas de Direitos Humanos e de Igualdade Racial do DF, da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus), Juvenal Araújo, fez críticas ao produto Krespinha, da Bombril, que causou polêmica por uso de nome associado ao racismo.

“Sempre houve racismo no Brasil e a referência de que o cabelo crespo é cabelo ruim. As crianças negras sofrem racismo nas escolas sendo chamadas de cabelos de bombril”, disse à coluna Grande Angular nesta quarta-feira (17/06).

A empresa é acusada de racismo pela escolha do nome da esponja de aço inox, apontado como uma associação pejorativa ao cabelo comum entre afrodescendentes.

Araújo defende que a Bombril desista do nome do produto. “A empresa tem que apoiar as campanhas que trabalhem a autoestima da população negra e desmistificar a relação do cabelo crespo com a palha de aço”, afirmou.

O subsecretário também se pronunciou nas redes sociais. Em publicação no Twitter, Araújo declarou: “O racismo estrutural impera no Brasil e esta campanha da Bombril reflete esse racismo. Lutamos dia a dia para mostrarmos que nosso cabelo crespo não é ruim e nem sequer uma referência a esponja de aço.”

Nos anos 1950, um produto com o mesmo nome foi lançado pela S.A. Barros Loureiro Indústria e Comércio. Uma peça publicitária de 1952 foi postada nas redes sociais em meio à polêmica da Bombril. A imagem mostra o desenho de uma menina preta, personificando a esponja na figura da criança.

No site da Bombril, o Krespinha é definido como “perfeita para limpeza pesada”. A hashtag #BombrilRacista foi um dos assuntos mais comentados do Twitter na manhã desta quarta-feira (17/06). Várias pessoas deixaram críticas ao produto em outras postagens da Bombril nas redes sociais.

A Bombril não retornou o contato do Metrópoles para comentar o caso. O espaço está aberto para eventuais manifestações.

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