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MPT reivindica boletim específico da Covid nas escolas privadas do DF

O Ministério Público do Trabalho realizou reunião com o GDF e sindicatos para discutir a situação da rede de ensino particular

atualizado 22/03/2021 20:50

Aluno em escolaRafaela Felicciano/Metrópoles

O Ministério Público do Trabalho (MPT) reivindica a divulgação de um boletim específico sobre os casos da Covid-19 na rede privada de ensino do Distrito Federal, que está atendendo alunos de forma presencial. O posicionamento foi informado nesta segunda-feira (22/3), após audiência com representantes do Executivo distrital, Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF) e Sindicato dos Professores em Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinproep-DF).

Coordenadora do Grupo de Trabalho Volta às Aulas, do MPT-DF, a procuradora Carolina Pereira Mercante destacou a necessidade do mapeamento: “O Ministério Público do Trabalho considera essencial que o Governo do Distrito Federal elabore um boletim epidemiológico setorial da educação privada a fim de detectar o número de contaminados do setor, as faixas etárias e os grupos mais suscetíveis à contaminação”.

Assista ao vídeo da procuradora do Trabalho:

O Sinproep-DF defende a suspensão, por duas semanas, das aulas presenciais para os alunos do 6º ano ao ensino médio. “Entendemos que os índices de contaminação estão altos e há necessidade de leitos de UTI. A nossa intenção é, justamente, diminuir o fluxo de adolescentes no transporte público”, disse à coluna o diretor jurídico do Sinproep-DF, Rodrigo de Paula.

Segundo Rodrigo de Paula, como a proposta não foi aceita pelos representantes patronais, o sindicato dos trabalhadores não descarta entrar na Justiça para o fechamento parcial das escolas privadas.

Presidente do Sinepe-DF, Ana Elisa Dumont gravou um vídeo em que destacou a necessidade de os colégios seguirem as normas sanitárias: “Mais uma vez, reforço a importância de cumprir os protocolos, de colocar a sua sala adequada ao distanciamento de um metro e meio e de resguardar para que os alunos não se aglomerem. Precisamos que as nossas escolas sejam exemplos na prevenção e no combate ao coronavírus.”

Representantes do grupo Vidas Importam também participaram da audiência. Eles pedem a suspensão provisória das aulas presenciais em razão do agravamento da pandemia. Segundo os pais e mães do movimento, o abaixo-assinado favorável ao pleito conta com o apoio de aproximadamente 580 pessoas.

O secretário executivo institucional da Casa Civil, Cristiano Lopes, informou, durante a reunião, que o GDF tem adotado ações para o controle da disseminação da Covid-19. Segundo o gestor, o governo local “não vê necessidade de medidas mais restritivas às aulas presenciais, mas estimula as aulas remotas para os alunos que puderem ter essa modalidade de ensino”.

Denúncias

A reunião em caráter emergencial foi requisitada pelo MPT em razão do recrudescimento da crise sanitária e de denúncias relacionadas ao descumprimento dos protocolos.

Em despacho expedido na última sexta-feira (19/3), ao qual a coluna Grande Angular teve acesso, a procuradora Carolina Pereira Mercante disse que diversas denúncias foram formalizadas e distribuídas, por meio de notícias de fato, a procuradores lotados na Procuradoria Regional do Trabalho da 10ª Região (PRT10).

As denúncias alegam que colégios privados do DF não estariam conseguindo controlar o distanciamento entre carteiras e alunos, e que há aglomerações nas escolas.

O MPT também recebeu relatos de que existem unidades que “não têm informado pais e trabalhadores sobre casos de testagem positiva no ambiente escolar, impossibilitando que eles adotem as providências de segurança cabíveis e que haja, por cautela, a suspensão provisória de atividades presenciais para determinadas turmas”.

Ainda conforme o despacho, há denúncias sobre escolas que exigem trabalho presencial de profissionais do grupo de risco e de unidades as quais não têm fornecido testagem aos trabalhadores que tiveram contato próximo com pessoas diagnosticadas com a Covid-19.

A procuradora regional do MPT destacou que, além de serem mais transmissíveis, as variantes do coronavírus no DF estão causando mais mortes, inclusive entre jovens. Ela frisou a dramática situação na rede de saúde: “A taxa ocupação das UTIs é altíssima, havendo falta de profissionais da saúde e medicamentos para o regular atendimento da população devido à sobrecarga do sistema”.

Justiça

Na sexta-feira, a 4ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal negou a suspensão das atividades presenciais na rede privada de ensino do DF. O juiz Roque Fabrício Antônio de Oliveira Viel indeferiu uma liminar solicitada pelo advogado Eduardo Henrique de Almeida Bezerra e manteve o decreto do governador Ibaneis Rocha (MDB) que autoriza a volta às aulas presenciais nas creches, escolas e faculdades particulares brasilienses.

O Decreto nº 41.869/2021, publicado no dia 5 de março, permitiu o funcionamento das atividades educacionais presenciais em todas as unidades privadas. Os colégios tiveram de fechar as portas no dia 1º de março em razão do lockdown, mas foram liberados, bem como as academias, uma semana depois.

O outro lado

Em nota, a presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe-DF), Ana Elisa Dumont, disse que a instituição orienta “constantemente pelo cumprimento de todos os protocolos e medidas de segurança nas escolas privadas do DF”.

“Sabemos da importância desses procedimentos para conter o vírus. Estamos convivendo com a pandemia há um ano e aprendemos que todo o cuidado é necessário. O respeito pela vida vem sempre em primeiro lugar”, pontuou.

Ana Elisa afirmou que “a criança e o adolescente não podem ter seu direito educacional suprimido, pois são sujeitos de direito, vulneráveis, em condição de desenvolvimento e devem ser tratados como prioridade, como determina a Constituição Federal”.

A presidente do Sinepe-DF é contra a suspensão das atividades presenciais: “Não podemos prejudicar àqueles que fizeram a opção por estarem dentro da sala de aula, em ambiente seguro. Não podemos retirar ainda o direito dos profissionais da linha de frente de terem local seguro e que possibilite desenvolvimento dos seus filhos, pois eles não têm se esquivado em prestar atendimento a comunidade nos hospitais, mercados, com coleta de lixo e em tantos outros serviços desempenhados.”

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