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Master: ex-presidente do BRB diz que falava com Ibaneis porque GDF é maior acionista
Costa disse, em depoimento ao qual Metrópoles teve acesso, que operação com o Banco Master foi “técnica”
atualizado
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Durante o depoimento do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, no dia 30 de dezembro de 2025, a delegada da Polícia Federal (PF) Janaina Palazzo perguntou três vezes sobre o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), no contexto das investigações sobre os negócios do BRB com o Banco Master.
Inicialmente, a investigadora questiona se houve contatos com o governador do DF. Costa responde que “costumeiramente prestava contas” porque o GDF é o acionista controlador do BRB. Ele afirmou, também, que “toda decisão foi técnica”. O Metrópoles teve acesso à oitiva.
“Costumeiramente, prestava contas. O governador é acionista, eu fazia pontos de controle com ele, reportava as iniciativas que a gente tinha do banco. É um papel meu de prestação de contas. Até porque eu não levaria adiante uma tentativa de aquisição de banco sem que isso fosse comunicado ao acionista controlador”, declarou o ex-presidente do BRB.
A delegada pergunta qual era a frequência dos retornos relativos à operação do BRB com o Banco Master. O ex-chefe do banco diz que não havia data certa e que tinha “pontos de controle períodos com o governador” nos quais levava uma lista de assuntos que precisavam ser tratados e quando havia novidades relacionadas ao assunto, como aprovação no conselho, decisão judicial favorável, posição do Banco Central.
Em seguida, a investigadora questiona se o ex-presidente do BRB tratou com o governador da aquisição de ativos e “de toda a situação das fraudes” e emenda que “mesmo com toda essa fraude, o BRB segue firme na intenção de compra”.
A delegada refere-se, nesse caso, às carteiras de crédito da Tirreno repassadas pelo Master ao BRB que são indicadas como inexistentes na investigação, em suposta fraude de R$ 12 bilhões.
Costa declarou que “não está clara uma questão importante que é a separação de M&A (fusões e aquisições) e da compra de carteiras”.
O ex-presidente do BRB disse que a operação de compra do Master tem uma dinâmica própria e conduz “série de diligências”. “Nesse caso, na nossa visão, as diligências foram satisfatórias, que resultaram na exclusão de um conjunto de ativos e passivos, no desenho de uma estrutura de governança compatível, de um preço compatível”, afirmou.
Costa disse que “outra coisa é a compra de carteira”. “A compra de carteira, de novo, hoje é tratado aqui como se fosse uma fraude absoluta e definitiva, que eu não vi em declarou que o BRB confirmou que substituiu R$ 10,2 bilhões de R$ 12 bilhões referentes às carteiras de crédito”, declarou.
Questionado pela reportagem, o governador Ibaneis afirmou que as declarações de Costa à PF são “a verdade”. “Foi exatamente isso que aconteceu. Eu não sabia nada de compra de carteira. Sempre procurei nomear pessoas técnicas e confiei no Paulo Henrique, que defendeu a operação”, disse.
“Negociação ficou bem mais dura”
Durante a oitiva, a delegada perguntou se “outros políticos” fizeram contato. Costa disse que “não houve” e que o trabalho dele era “estruturar a operação e executar o planejamento estratégico”.
Questionado se foi “pressionado, direta ou indiretamente”, o ex-presidente do BRB afirmou que, quando começou a negociação, engajou grupo de trabalho e assessores e que “existia um sentimento bastante positivo em relação à possibilidade de crescimento, de complementariedade do BRB e ter acesso ao que falei de clientes, segmentos, tecnologias, estrutura de capital, presença em outros mercados”.
Costa disse que, “a partir do momento que identificou essas questões das carteiras, a negociação ficou bem mais dura”. “E foi aí onde a gente iniciou negociação para que o próprio Daniel [Vorcaro] deixasse de ser controlador do banco e que, no final, ele não fosse nem sócio”, relatou.
Em outro momento do depoimento, o presidente do BR declarou que “toda decisão foi técnica”. “Essa foi a terceira tentativa de aquisição de uma instituição financeira. A gente iniciou com compra de carteira, foi entendendo a forma de funcionamento, viu que existiu oportunidade de que parte do Master poderia agregar ao modelo de negócio do BRB. O Master nos provocou formalmente em 3 de janeiro e, a partir daí, nós estabelecemos todo o processo“, contou.
Após a divulgação do conteúdo do depoimento, a defesa de Paulo Henrique Costa divulgou uma nota. Veja:
“Em complemento às manifestações já prestadas, a defesa de Paulo Henrique Costa consolida seu posicionamento diante de matérias e publicações recentes que reproduzem, de forma parcial e muitas vezes fora de contexto, conteúdos relacionados aos depoimentos prestados no âmbito das apurações envolvendo o BRB e o Banco Master.
As aquisições de carteiras de crédito originadas pelo próprio Banco Master iniciaram em julho de 2024, antecedem qualquer discussão societária e sempre se inseriram no curso ordinário das atividades bancárias, em linha com a estratégia de gestão de ativos e passivos e com o planejamento estratégico aprovado pelos órgãos de governança, observados os ritos e instâncias decisórias competentes.
Quando foram identificados ativos com padrão documental distinto, o BRB atuou de forma técnica e diligente: adotou medidas de contenção, comunicou formalmente a autoridade supervisora, agregou garantias e exigiu a substituição dos ativos, nos termos contratuais e dos procedimentos aplicáveis, com acompanhamento do Banco Central do Brasil.
No que se refere à operação societária anunciada em março de 2025, é incorreto enquadrá-la como aquisição indiscriminada ou tentativa de salvamento. A transação foi estruturada com participação de áreas técnicas, consultores e assessores externos independentes, seguindo as práticas usuais do mercado e o planejamento estratégico, submetida às instâncias internas de governança colegiada e condicionada à segregação de ativos e passivos não alinhados à estratégia do BRB. Essas exclusões foram expressivas e envolveram R$ 51,2 bilhões, além de condições precedentes de proteção ao BRB, tudo em diálogo com o regulador e demais instâncias competentes.
O depoimento de Paulo Henrique Costa foi prestado com clareza, consistência e compromisso com a verdade, reafirmando que sua atuação, em todos os momentos, foi orientada exclusivamente pelo interesse do BRB, por critérios técnicos e pelo cumprimento dos deveres fiduciários inerentes à administração de uma instituição financeira pública.
Por fim, a defesa reafirma confiança nas instituições, no devido processo legal e na apuração técnica integral dos fatos, certa de que o esclarecimento completo afastará interpretações indevidas e confirmará a correção da conduta adotada.
Brasília, 29 de janeiro de 2026.
Cleber Lopes de Oliveira
OAB/DF 15.068”
Vorcaro e Ibaneis
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, disse, em depoimento à Polícia Federal, que falou com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a compra do Master pelo BRB. Ibaneis, porém, disse que encontrou com Vorcaro, mas nunca tratou do assunto.
“Estive na casa dele [Vorcaro] uma vez. Fui convidado para um almoço. Nunca tratei de banco com ele. As operações todas foram feitas pelo Paulo. Nunca tratei com Vorcaro nada de compra de banco, de compra de ação, de nada. Quando encontrei com ele, fui convidado para um almoço na casa de um empresário que eu não conhecia. Cheguei lá mudo e saí calado. Não tratei de nada, até porque não entendo nada disso”, afirmou o titular do Palácio do Buriti.








