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Justiça mantém prisão de advogado que atropelou mulher no Lago Sul e autoriza perícia de vídeos

Paulo Ricardo Moraes Milhomem atropelou Tatiana Matsunaga após uma briga de trânsito, no fim de agosto. A vítima permanece internada

atualizado 01/10/2021 13:24

Foto de homemReprodução

O Tribunal do Júri de Brasília negou, nesta sexta-feira (1º/10), mais um pedido de liberdade e manteve a prisão preventiva do advogado Paulo Ricardo Moraes Milhomem, que foi detido após atropelar a servidora pública e advogada Tatiana Matsunaga, no fim de agosto deste ano. É a sexta vez que a Justiça decide manter Milhomem preso.

Na decisão expedida nesta manhã, o juiz Frederico Ernesto Cardoso Maciel autorizou a realização de perícia em vídeos que mostram o atropelamento. A análise será feita pelo Instituto de Criminalística, da Polícia Civil do DF (PCDF). O pedido para realização de perícia técnica foi feito pela defesa do réu, acusado de tentativa de homicídio qualificado por motivo fútil.

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Os advogados de Milhomem alegam que a análise das imagens pode “demonstrar a prova de que a vítima foi quem se deslocou para evitar a saída do veículo do defendente [Paulo Ricardo Moraes Milhomem], visando afastar, definitivamente, alegoria de que o motorista acusado tentou ao menos lesionar Tatiana Matsunaga”.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) chamou de “absurda” a defesa do réu, ao considerar que há uma tentativa de “culpar” Tatiana pelo atropelamento. “A tese de culpa exclusiva da vítima é contrariada pelas imagens dos fatos, que demonstram que a vítima foi perseguida e encurralada na porta de sua casa, momento em que o acusado deliberadamente a atropelou”, pontua o órgão.

Veja a filmagem:

Prisão

Ao analisar o pedido de revogação da prisão preventiva, o juiz disse que o afastamento do advogado da sociedade “tem por objetivo a preservação da ordem pública”.

“O afastamento cautelar do réu da sociedade se mostra apto para alcançar tal objetivo, visto que a gravidade em concreto do fato praticado, demonstrado pelo modus operandi na prática do delito, demonstra que a liberdade do acusado expõe risco à garantia da ordem pública. Dessa forma, a medida se mostra adequada”, escreveu o magistrado.

Maciel também negou o pedido da defesa de Milhomem contra a denúncia do MPDFT, a fim de desclassificar e afastar a qualificadora do crime de tentativa de homicídio.

“Para tais reconhecimentos, seria necessário que a inocorrência das qualificadoras e do crime doloso contra a vida fosse patente e gritante aos olhos, o que não ocorre no caso em tela. Os indícios, até então levantados, são da ocorrência de tentativa de homicídio, que, obviamente, será melhor avaliada após a instrução criminal”, assinalou.

Milhomem está preso desde 25 de agosto, quando atropelou Tatiana, no Lago Sul, na frente do marido e do filho dela, de 8 anos. O advogado teve o registro na OAB-DF suspenso por 90 dias, em razão do atropelamento.

Desde que foi atingida pelo carro dirigido pelo advogado, Tatiana está internada em um hospital particular, em estado grave.

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