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Grande Angular

Juiz considera inconstitucional uso de imóveis públicos para socorrer o BRB

Segundo decisão, são inconstitucionais os trechos sobre o uso de imóveis públicos e ativos de empresas estatais para capitalizar o BRB

05/11/2026 08:40
KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo
BRB - Metrópoles

A 2ª Vara da Fazenda Pública do Distrito Federal considerou inconstitucionais os trechos da lei de socorro ao Banco de Brasília (BRB) que autorizavam a utilização de imóveis públicos e ativos de empresas estatais para a capitalização do banco. As sentenças, publicadas na terça-feira (4/11), declararam a nulidade dos atos praticados com base nesses trechos.

As sentenças foram proferidas em dois processos diferentes, mas ambos julgados pelo juiz Daniel Eduardo Branco Carnacchioni. Ao analisar o caso, o magistrado entendeu que a lei “não demonstrou adequadamente o interesse público necessário para o uso dos imóveis, nem observou requisitos previstos na Lei Orgânica do Distrito Federal para a desafetação de bens públicos”.

Ainda destacou que o patrimônio das empresas estatais “possui autonomia jurídica e não pode ser tratado como extensão do patrimônio do ente controlador”.

As sentenças determinaram a nulidade dos atos administrativos e societários que dependam diretamente dos trechos considerados inconstitucionais, inclusive em relação a operações de alienação, transferência, oneração ou utilização patrimonial previstas na lei.

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Na decisão, porém, ressaltou que não há impedimento de “outras formas de fortalecimento financeiro do banco que observem os requisitos constitucionais e legais”. 

As ações pediam a condenação do GDF de ressarcimento de danos ao erário. Os pedidos foram rejeitados por ausência de comprovação de prejuízo patrimonial concreto. Também foi reconhecida a perda parcial do objeto das ações em relação à Gleba A da Serrinha do Paranoá e ao imóvel do Setor de Indústria e Abastecimento (SIA), retirados da relação inicial de bens abrangidos pela lei.

O Governo do DF tenta resolver a crise no BRB causada pela compra de ativos podres do Banco Master. De acordo com investigações da Polícia Federal, o Banco de Brasília confiou “cegamente” em planilhas elaboradas pelo Banco Master e “desembolsou bilhões de reais na aquisição de carteiras de crédito sem promover verificações mínimas acerca da origem, existência, validade e exigibilidade dos ativos negociados”.

O Executivo local tenta destravar um empréstimo para socorrer o BRB. Em maio deste ano, protocolou uma ação Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar um acordo com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).

Segundo o acordo, em contrapartida ao empréstimo, bancos dariam a fiança ao negócio, e o GDF ofereceria como contragarantias as cotas às quais têm direito nos fundos de participação dos estados e dos municípios. O aval dos bancos, no entanto, não veio. Deste então, o andamento do acordo está travado.