Homem que declarou insanidade em processo criminal é eleito prefeito
O Ministério Público do Rio Grande do Sul acusou Joel Ghisio de participar de esquema desvio de recursos públicos quando era prefeito

O prefeito eleito de Mariana Pimentel, no Rio Grande do Sul, Joel Ghisio (PDT), declarou insanidade mental em um processo criminal no qual era acusado de falsidade ideológica.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul acusou Joel de participar de esquema desvio de recursos públicos envolvendo a emissão de diárias na Prefeitura de Mariana Pimentel, cidade que fica a 79 quilômetros de Porto Alegre, capital do estado. O município tem 3.916 habitantes e registrou R$ 33,4 milhões de receita em 2023, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o MP, Joel – que era prefeito da cidade no período de 2011 e 2012 – emitia diárias junto a servidores “que não correspondiam a efetivas situações de exercício funcional em deslocamento, mas que era justificadas mediante a apresentação de notas fiscais, recibos e outros documentos ideologicamente falsos, elaborados preordenadamente com o específico fim de lastrear o acréscimo indevido de vantagens pecuniárias ao servidor em questão”.
O político, que foi eleito prefeito da cidade em 2004 e reeleito em 2008, apresentou à Justiça um laudo psiquiátrico de agosto de 2022. O documento dá o diagnóstico de três tipos de transtornos “graves e incuráveis”, que o tornam “inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito e de autodeterminar-se”. A Vara Judicial da Comarca de Barra do Ribeiro, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul (TJRS), homologou o laudo pericial em abril de 2023.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularA coligação derrotada nas eleições de 2024, União por Mariana Pimentel, do candidato Betinho (PSB), apresentou impugnação da candidatura de Joel, com argumento de que é “incoerente que o mesmo indivíduo, incapaz de responder por atos ilícitos, pleiteie agora o exercício pleno de seus direitos políticos”.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) manteve a candidatura de Joel, em julgamento no dia 27 de setembro de 2024. O acórdão cita que “a inimputabilidade penal por insanidade mental não gera presunção de incapacidade civil para fins de inelegibilidade eleitoral, devendo prevalecer o princípio da inclusão, conforme a Resolução TSE n. 23.659/21, que assegura o pleno exercício dos direitos políticos às pessoas com deficiência, salvo decisão judicial em contrário que determine a suspensão desses direitos”.
A Coligação União por Mariana Pimentel recorreu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que deverá julgar o caso. A chapa alega que o prefeito eleito “burla a legislação, adotando a tese da inimputabilidade em autos criminais e, de modo concomitante, a tese da plenitude da capacidade no registro de candidatura”.
A coluna tenta contato com a defesa do prefeito eleito. O espaço está aberto para eventuais manifestações.











