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GDF investe no Centrad e estuda pagar empresários

O Centrad, envolvido em polêmicas com denúncia de pagamento de propina, nunca foi ocupado, mas gerou despesa de R$ 6 milhões em 2025

atualizado

metropoles.com

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Galeria Centrad 1
1 de 1 Galeria Centrad 1 - Foto: Michael Melo/Metrópoles

O Governo do Distrito Federal (GDF) tem investido no Centro Administrativo (Centrad) e estuda possível pagamento aos empresários responsáveis pela construção envolvida em escândalos, segundo documentos obtidos pelo Metrópoles.

Do Centrad, restou um esqueleto e um passado obscuro. Delator da Lava Jato, João Antônio Pacífico disse que as obras serviram para desviar dinheiro e pagar propina – R$ 2 milhões para o então vice-governador do DF, Tadeu Filippelli (MDB); R$ 1,5 milhão para o ex-governador Agnelo Queiroz (PT); R$ 500 mil para o também ex-governador José Roberto Arruda (PSD); e outros R$ 15 milhões para o MDB e o PT.

Há alguns meses, o Centrad voltou a ser objeto de interesse no GDF. Em fevereiro de 2026, o então secretário de Economia do DF, Daniel Izaias, solicitou à assessoria de Projetos Especiais que envie o valor de eventual passivo que o GDF deverá pagar às empresas para compor a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027. Veja: 

Centrad – estudo para incluir possível pagamento a empresários do Centrad na LDO de 2027

Em paralelo, a Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob) pediu à Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh) informações relacionadas ao impacto viário, à circulação de pedestres e à destinação de vagas de estacionamento, especialmente das situadas fora do lote e estabelecidas no processo de licenciamento do Centrad.

A pasta também requereu esclarecimentos sobre possibilidade de revisão da destinação original das áreas de estacionamento. As informações foram solicitadas em um ofício que trata de implantação de um novo termina rodoviário próximo ao Centrad, em Taguatinga.

Antes, em janeiro de 2026, a Secretaria de Obras solicitou à Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) revitalização visual e qualificação dos espaços externos do Centrad para “adequado funcionamento do local”.

Histórico

A gênesis do elefante branco remonta ao ano de 2009, quando o GDF fechou parceria público-privada com a Odebrecht e a Via Engenharia para construção do complexo, que contou com empréstimo da Caixa. A estrutura foi orçada em R$ 660 milhões, mas acabou custando R$ 1 bilhão. Inaugurado em 2014, o Centrad nunca foi usado.

Em 2022, o GDF anulou a PPP com o consórcio em meio a 60 processos envolvendo o Centrad. As ações discutem temas como alvará do prédio, indícios de fraude no acordo e ausência de documentos para colocar o empreendimento em operação.

Um relatório administrativo elaborado pela Subsecretaria de Governança, Análise e Avaliação da Estratégia, da Secretaria de Economia, diz que os gastos do GDF com segurança, limpeza e outros têm aumentado nos últimos anos, apesar de a estrutura não ter utilidade. Em 2023, a despesa foi de R$ 5 milhões. O valor passou para R$ 5,9 milhões, em 2024, e chegou a R$ 6 milhões em 2025, de acordo com o despacho de 8 de abril de 2026.

Gastos do Centrad

O Centrad chegou a ser incluído no projeto de lei que prevê medidas para captação de recursos ao Banco de Brasília (BRB), mas houve resistência do mercado em razão dos imbróglios judiciais envolvendo o complexo.

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