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Fundo que financiou liga de times das Séries A e B não foi auditado por falta de documentos

Fundo Miller foi utilizado pela Sports Media, que detém participação em 30 clubes de elite do Brasileirão, para captar R$ 750 milhões

atualizado

metropoles.com

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Um auditor independente relatou que se absteve de emitir opinião sobre o fundo Miller, usado pela Sports Media para captar R$ 750 milhões, em razão da ausência de informações essenciais, segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No relatório de 29 de maio de 2025, o contador Roberto Henrique Santini disse que não foi possível expressar opinião sobre o fundo Miller porque não foram disponibilizadas demonstrações financeiras auditadas da emissoras das debêntures nem análise da administradora sobre a recuperabilidade das debêntures.

Segundo o profissional, também não foram enviadas evidências de auditoria apropriadas e suficientes para a avaliação.

Fundo que financiou liga de times das Séries A e B não foi auditado por falta de documentos

A liga Futebol Forte União (FFU) captou R$ 750 milhões em um fundo administrado pela Trustee DTVM, de propriedade de Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. A operação foi realizada pela Sports Media, de investidores da FFU, em setembro de 2024.

O objetivo era obter recursos para investir na compra de direitos de transmissão de televisão e direitos comerciais dos clubes, segundo informado pelo UOL e confirmado pelo Metrópoles em documentos oficiais. A operação escolhida é chamada de debêntures conversíveis, que dá direito a ações da organização como pagamento. A Sports Media tem participação em 30 times das séries A e B do campeonato.

Investigações

A Trustee é investigada pela Polícia Federal nas operações Carbono Oculto e Compliance Zero – que apura fraudes do Banco Master – por gerir fundos suspeitos de ligação com o crime organizado.

O negócio envolvendo a elite do futebol brasileiro foi realizado por meio do Miller Fundo de Investimento em Participações, que era administrado pela Trustee DTVM. As debêntures vendidas pela Sports Media para captação dos recursos representavam 99,8% do Miller. De acordo com informações obtidas pelo Metrópoles, em meados de 2025, o valor de mercado das debêntures já chegava a R$ 877 milhões – o que significa lucro para o fundo de R$ 127 milhões.

O fundo está com registro cancelado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). E a Trustee permanece sob a mira dos investigadores da PF por suspeita de envolvimento nos negócios escusos do Master. A ligação entre a gestora e o banco é provada, além dos negócios, pelo endereço: ambos registraram oficialmente que funcionavam no mesmo lugar, na Faria Lima, 3477, 11º andar.

O outro lado

A Sports Media se pronuncia por meio de nota enviada à reportagem. Veja: 

A Sports Media Entertainment esclarece que não tem e nunca teve relação com Daniel Vorcaro ou seus sócios, tampouco tinha conhecimento de eventual ligação da administradora de fundos Trustee DTVM com o Banco Master.

Em 2024, a Sports Media contratou a Rothschild, uma das principais consultorias independentes de serviços financeiros do mundo, para assessorá-la na captação de recursos. Ao fim do processo competitivo, a Farallon Latin America Investimentos, renomada gestora global, foi selecionada para investir R$ 750 milhões em debêntures da companhia, por meio do fundo criado por ela, o Fundo Miller, cuja administração foi atribuída à Trustee DTVM, agente financeira autorizada pelo Banco Central e pela CVM a atuar no mercado de capitais. A Sports Media não teve ingerência na estruturação do fundo que comprou as debêntures, pois as decisões de investimento eram de responsabilidade exclusiva da Farallon. No entanto, a SME reforça sua confiança na governança e nos procedimentos adotados pela Farallon.

A SME destaca que jamais houve risco de conversão das debêntures em ações por inadimplência. Ainda que houvesse, o investidor não exerce controle do Condomínio Forte União, cuja governança assegura uma efetiva cogestão entre clubes e investidores. Além disso, a convenção de condomínio prevê uma série de mecanismos de proteção em caso de mudança de controle no grupo investidor.

As demonstrações financeiras da Sports Media de 2024 e 2025 foram auditadas e aprovadas sem ressalvas pela KPMG. Por fim, a SME ressalta que a discussão sobre a presença de investidores no futebol brasileiro não deve ser pautada por questões meramente ideológicas, baseadas em recortes narrativos imprecisos sobre a estrutura criada pelos clubes com a SME. O tema merece ser debatido com foco em gestão e resultados. Juntamente com os clubes, a Sports Media Entertainment colaborou para a formação de uma engrenagem que revolucionou a venda de direitos de transmissão de jogos de futebol no país e produziu o maior incremento de receitas da história do futebol brasileiro.

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