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Especialistas falam sobre riscos do aterramento de bacias de drenagem

A Direcional Engenharia vai construir complexo com 25 prédios onde ficavam bacias de detenção do sistema de drenagem, em Ceilândia

atualizado

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Bacias de detenção do sistema de drenagem de Ceilândia são aterradas
1 de 1 Bacias de detenção do sistema de drenagem de Ceilândia são aterradas - Foto: VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

O aterramento de bacias de detenção do sistema de drenagem de Ceilândia para construção de prédios residenciais acende o alerta sobre efeitos negativos na região. Como o Metrópoles revelou recentemente, a Direcional Engenharia vai erguer um complexo de 25 edifícios com 592 apartamentos no local onde ficavam os “piscinões”.

A bióloga e presidente do Comitê de Bacias dos Afluentes do Rio Paranaíba no Distrito Federal, Alba Evangelista Ramos, lembra que as bacias tinham objetivo de coletar a água das chuvas que desciam de Ceilândia, para resolver problema de alagamentos nas região. As bacias, chamadas de “piscinões”, foram construídas em 2004.

“De lá para cá, o que eu vejo é que a Novacap deixou de fazer a manutenção nessas bacias. Por isso, ficaram acumulando resíduos e, hoje, já estão com a capacidade de detenção da água comprometida. Agora, isso não é motivo para se aterrar as bacias de detenção para implantar um projeto de um residencial de 25 torres com 592 apartamentos. Você vai resolver o problema dos picos de cheia de que jeito?”, questiona Alba.

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Construtora aterra bacias do sistema de drenagem em Ceilândia
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A professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Brasília (UnB) Liza Maria Souza de Andrade destaca que “a região da Ceilândia tem problema seríssimo de águas pluviais, com enchentes, enxurradas e alagamentos”. “Tem estudos falando daquela região ali, muito suscetível à erosão. É uma região muito delicada, com solos colapsáveis, que, se ficam encharcados, começam a desmoronar. Não é recomendado fazer o que estão fazendo”, diz.

A docente afirma que existem soluções mais modernas e melhores para a drenagem das águas pluviais do que as bacias, mas o aterramento desses locais para construção de prédios “pode ser um problema seríssimo”. “Porque em todo aterro o solo fica comprometido, então tem que fazer fundação mais profunda. Imagina prédios altos… Não faz sentido fazer prédios nessas áreas”, declara.

“A gente tem que fazer prédios residenciais em áreas mais centrais para a população de baixa renda e não simplesmente colocar as pessoas longe, distante do trabalho. Me soa muito inadequado fazer esse tipo de proposta de aterrar essas bacias e fazer prédios. Tem que transformar essas bacias em parques para que a população possa utilizar”, diz.

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) vai investigar o aterramento de bacias de detenção do sistema de drenagem da água das chuvas de Ceilândia. A Procuradoria Distrital dos Direitos do Cidadão abriu uma notícia de fato para apurar o caso.

O outro lado

Responsável pela obra, a Direcional Engenharia declarou que a construção “conta com todas as autorizações necessárias de todos os órgãos envolvidos e que o projeto de aterramento foi precedido por um estudo técnico da região de Ceilândia, incluindo a análise da drenagem da área”.

“A companhia ressalta que não se trata de um aterramento total, pois parte das bacias continuará em funcionamento e a empresa está realizando limpeza preventiva das estruturas existentes. Importante reforçar que as bacias que passarão por aterramento estão em área particular”, declarou.

A Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap) disse que “não há impacto para a população da região, uma vez que foi realizada uma readequação do sistema de drenagem existente”.

“A readequação do projeto consistiu no desvio das redes do Setor ‘O’ para um córrego localizado abaixo do condomínio Privê, enquanto o restante da área de contribuição passou a ser conduzido para as bacias do Ikeda. Essas bacias foram redimensionadas, com a inclusão de uma estrutura de vertedouro ao lado do lote da Direcional, justamente para absorver possíveis vazões excedentes. Esclarecemos ainda que todos os projetos passaram por análise técnica e foram aprovados conforme as normas vigentes”, declarou.

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