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E-mail de CEO da Sports Media provoca revolta de clubes da FFU

Mensagem de Bruno Pimenta, que insinuou proximidade com conselheiros do Cade, foi rebatida por dirigentes de times, que encomendaram parecer

29/06/2026 11:58, atualizado 29/06/2026 12:39
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Reprodução
E-mail de CEO da Sports Media provoca revolta de clubes da FFU

O e-mail em que o CEO da Sports Media, Bruno Pimenta, sugeriu aos clubes da Futebol Forte União (FFU) que a empresa tinha um canal aberto com os conselheiros do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) — revelado pelo Metrópoles — teve efeito oposto ao pretendido e gerou revolta entre os times.

Em vez de acalmar os associados, a mensagem provocou reação em cadeia: ao longo do fim de semana, dezenas de dirigentes responderam à companhia em tom de cobrança, alguns deles acusando a Sports Media, diretamente, de ter criado o problema que agora os ameaça.

Pimenta divulgou a “nota de esclarecimento” na sexta-feira (26/6), poucas horas após o Cade determinar que a empresa não pode dificultar a saída de clubes do bloco. No comunicado, o CEO da Sports Media afirmou que a equipe jurídica “já está em contato com os conselheiros da autarquia” — os mesmos que podem julgar o caso — e que esses conselheiros, “assim como” a empresa, teriam sido “pegos de surpresa pela decisão”.

O CEO concluiu que acreditava que a medida seria revista “muito em breve”. A frase, lida por dirigentes como uma insinuação de influência sobre a instância que ainda pode reavaliar o caso, foi o estopim. No sábado (27/6), o e-mail virou um fórum aberto de revolta, com presidentes e executivos de clubes das Séries A, B e C respondendo a todos.

“Desde o início, vocês não quiseram submeter ao Cade”

Uma das primeiras respostas veio do presidente do Cuiabá, Cristiano Dresch. “Acho que é o momento de parar de tapar o sol com a peneira. Vocês da Sports Media foram os responsáveis pela construção jurídica do Condomínio e claramente há problemas graves que vocês não querem reconhecer”, escreveu, dirigindo-se a Pimenta.

Dresch foi além e cobrou a empresa pela decisão de não submeter a estrutura ao Cade desde o início: “Desde o início, vocês não quiseram submeter a formação do Condomínio ao Cade, falando que não era necessário. Daí, ano passado, veio uma investigação e uma decisão no Cade, contrariando o que vocês disseram e gerando custos para os clubes”.

A presidência do Atlético-GO foi direta ao responsabilizar a companhia. “Vocês falaram para os clubes que não iríamos ter nenhum problema no Cade. Agora já são duas decisões que nos afetam e nos colocam em risco“, registrou o clube, que cobrou o fim das “teses que já se mostraram erradas” e a convocação de uma assembleia “para decidir a melhor forma de resolver esse problema que vocês criaram”.

O coro se ampliou ao longo do fim de semana. “O parecer é sólido e merece ser lido por todos”, escreveu o presidente do Vila Nova, Hugo Bravo de Carvalho. Do Ceará, o presidente João Paulo Silva foi enfático ao colocar o clube no bloco: “Contem com o apoio do Ceará nessa questão”.

O Juventude, por meio de Fábio Pizzamiglio, declarou que não vai pagar a conta: “Não podemos compactuar ou ser penalizados por irregularidades pelas quais não somos responsáveis”.

O Botafogo, representado por Eduardo Iglesias, cobrou explicações e chamou os demais para a mesa: “Estamos à disposição para fazer este debate em conjunto com todos os clubes”.

E o Fortaleza, por Pedro Martins, reforçou o caminho da assembleia: “Consideramos importante que os clubes se reúnam para uma avaliação”.

Parecer e assembleia sem a Sports Media

A enxurrada de respostas ocorreu após a divulgação de um parecer jurídico encomendado por três clubes da própria FFU — Cuiabá, Vila Nova e Atlético-GO — à advogada Ticiana Lima, do escritório VMCA Advogados, especializado na área de direito concorrencial.

O documento diz que as regras do arranjo da FFU restringem a concorrência de forma ilegítima e avalia que a Sports Media ocupa, na prática, a posição de controladora do bloco — com poder de veto sobre praticamente todas as decisões, apesar de deter apenas 20% dos direitos.

O parecer mira especialmente a cláusula que prende os clubes por 50 anos, até 2074, classificando-a como uma “restrição pura”, 10 vezes acima do limite de cinco anos admitido pelo próprio Cade em sua jurisprudência.

O texto aponta dois riscos para os clubes: o Cade abrir ou ampliar uma investigação por infração à ordem econômica e, na análise final do arranjo, reprovar o modelo ou impor mudanças. Caso a Sports Media não ajuste as cláusulas, conclui o parecer, a saída do arranjo passa a ser a alternativa juridicamente mais segura para os clubes.

Diante disso, ao menos 15 clubes responderam à mensagem defendendo que o tema seja debatido em uma assembleia; entre eles, constam Amazonas, Atlético-GO, Botafogo, Ceará, Chapecoense, CRB, Criciúma, CSA, Cuiabá, Figueirense, Goiás, Juventude, Novorizontino, Tombense e Vila Nova.

Os dirigentes querem uma reunião exclusiva de clubes para definir a posição do grupo sobre a decisão do Cade — e fizeram questão de excluir a Sports Media e seus representantes da mesa.

A reunião seria “sem participação do Gabriel ou qualquer outro funcionário do Gamboa”, escreveu Dresch, em referência a executivos ligados à estrutura da empresa.

O outro lado

Em nota divulgada à imprensa, a Sports Media disse que tem “compromisso com diálogo permanente com todos os clubes” e que “permanece aberta a ouvir suas contribuições, esclarecer eventuais dúvidas e discutir internamente todos os temas de interesse comum”.

“Reitera-se que todas as operações e os instrumentos firmados observaram rigorosamente a legislação vigente, os contratos livremente celebrados entre as partes e as regras e governança condominial, aprovadas por unanimidade”, declarou.

Sobre a decisão do Cade, afirmou que “se trata de medida preliminar, proferida antes do fim do prazo para apresentação de informações, em processo de natureza meramente preparatória, que nem sequer comporta medidas preventivas”.

A Sports Media declarou que adotará “todas as providências cabíveis para resguardar direito” e pontuou que “segue confiante na solidez jurídica e institucional de sua atuação, que já vem apresentando benefícios inéditos aos clubes”.