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Grande Angular

Delegada acusa Vorcaro de fraude e ele provoca: “Alguém com coragem na PF?”.

Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro

29/10/2026 17:28, atualizado 29/10/2026 18:03
Reprodução
Delegada acusa Vorcaro de fraude e ele provoca: “Alguém com coragem na PF?”

Em depoimento realizado no dia 15 de outubro, Daniel Vorcaro foi acusado de fraude pela delegada da Polícia Federal Janaína Palazzo. O dono do Banco Master negou ter causado prejuízo ao Banco de Brasília (BRB) e provocou: “Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para entender isso?”

A oitiva foi enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29/10), dia seguinte ao indiciamento de Vorcaro por gestão fraudulenta, prestação de informação falsa, fraude, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A delegada confrontou Vorcaro e afirmou que a fraude ocorreu quando o dono do Master pegou “carteira da base de dados que, aparentemente, quem trouxe foi o seu sócio, ou ex-sócio Augusto Lima, e internaliza em sistema do seu banco”.

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O ex-banqueiro questionou: “Eu fiz isso? A senhora tem prova?”. Vorcaro prosseguiu dizendo que a PF fez o “relatório inicial baseado em informação do Banco Central e depois ele mesmo disse que acabaram as transações”. “Fraude não teve. Fraude não teve. Não tem cliente que perdeu dinheiro, o BRB não perdeu dinheiro”, acrescentou.

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A delegada da PF insistiu e afirmou que houve “baixa” de R$ 2,2 bilhões no BRB, que seria o prejuízo contabilizado com as carteiras de crédito falsas.

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VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto
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As carteiras que teriam os créditos inexistentes, segundo a PF, foram originadas na Tirreno e repassadas ao BRB pelo Banco Master. Segundo as investigações, Vorcaro sabia da origem e das inconsistências.

No depoimento, Vorcaro afirmou que “nunca” negou problema com a Tirreno, mas declarou que “foi resolvido lá atrás”. A delegada da PF afirmou que “tem ações que, apesar de resolver financeiramente, não significa que você vai apagar o que aconteceu”.

O dono do Banco Master, então, respondeu que “tem que investigar tudo” e voltou a negar crime. “Se alguém fez alguma coisa de errado dentro do meu banco, no BRB, na Tirreno, tem que ser apurado. Agora, o que eu sei é que eu não fiz nada. O que eu fiz foi: quando eu fiquei sabendo de problema na carteira, peguei ativos do banco e substituí, peguei ativos próprios e substituí, em boa-fé com o BRB e mais ativos que ele pagou. Essa é a realidade. Será que tem alguém com coragem na Polícia Federal para poder entender isso?”, disse.

Janaína Palazzo declarou que já pediu acesso aos documentos e ao resultado da auditoria, e voltou a falar dos R$ 2,2 bilhões que seriam de prejuízo ao BRB. “Para mim, é muito dinheiro”, destacou.

“Sabe o que é baixa? É provisionamento contábil que o banco faz. Não quer dizer que não vale”, disse Vorcaro. A delegada, então, afirmou que “o que a gente acompanha é uma tentativa desesperada do DF em conseguir empréstimo” ao BRB. O Governo do DF pediu R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC), mas a recusa da União em conceder aval travou a negociação.