Caso Sarah: projeto prevê formação de professores em segurança digital
O PL foi apresentado após a morte de Sarah Raíssa Pereira, 8 anos, que inalou desodorante influenciada por um "desafio" de rede social

Um projeto de lei protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), nessa quarta-feira (16/4), propõe a criação da Política Distrital de Proteção Digital de Crianças e Adolescentes, com uma série de medidas para as escolas públicas e privadas. A proposta ainda vai ser analisada pelos deputados distritais.
O PL foi apresentado após a morte de Sarah Raíssa Pereira, 8 anos, que inalou desodorante influenciada por um “desafio” que circulava em rede social. A menina teve morte cerebral confirmada no domingo (13/4).
As medidas de prevenção previstas no PL incluem formação continuada de professores e outros profissionais da educação em segurança digital, uso pedagógico da tecnologias da informação, mediação de conflitos on-line, prevenção e identificação do cyberbullying e crimes digitais, além de combate às fake news e à desinformação.

Receba no seu email as notícias da coluna Grande Angular
Frequência de envio: Diário
Ver todasO projeto de lei determina que o Governo do Distrito Federal, em articulação com as famílias, instituições e sociedade civil, atue para prevenir, identificar e combater riscos digitais, como campanhas de conscientização, orientação sobre uso seguro das tecnologias, promoção de canais de denúncia para situações de risco ou violação de direitos.
Entre no canal de WhatsApp da Coluna Grande AngularA proposta também prevê que caberá às escolas a implementação de programas de educação digital no currículo escolar, a capacitação de profissionais de educação e o estabelecimento de regras sobre uso de dispositivos eletrônicos nas escolas, além da intervenção em situações de cyberbullying e outras formas de violência on-line.
De acordo com o projeto de lei, os provedores de serviços e aplicações da internet que oferecem conteúdos ou serviços direcionados a crianças e adolescentes no âmbito das escolas públicas e privadas, ou que sejam por eles acessíveis, devem adotar medidas para garantir a proteção de dados pessoais, além de implementar mecanismos de verificação de idade e controle parental, entre outras ações.
A proposta, do deputado distrital Gabriel Magno (PT), prevê aplicação de advertência, multa e até suspensão temporária ou proibição do exercício de atividades para quem deixar de adotar as medidas de proteção digital; coletar, tratar ou compartilhar dados pessoais de crianças e adolescentes em desacordo com a lei; e expor crianças e adolescentes a riscos digitais.
A proposta diz que as despesas decorrentes da execução da lei, se aprovada, serão custeadas com dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.
Outras propostas
Após o caso de Sarah, parlamentares do Distrito Federal também apresentaram propostas no Congresso Nacional para criminalizar conteúdo que induza crianças a se machucarem.
O Projeto de Lei nº 1.691/2025, do deputado federal Fred Linhares (Republicanos-DF), altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) para criminalizar a criação, o incentivo, o compartilhamento e a promoção de desafios perigosos nas plataformas digitais que induzam crianças e adolescentes a se colocarem em risco.
O texto, protocolado na Câmara dos Deputados na segunda-feira (14/4), também torna obrigatória a comunicação aos Conselhos Tutelares sobre suspeitas ou confirmações de indução à automutilação e maus-tratos decorrentes de conteúdos perigosos.
A senadora Leila Barros (PDT-DF) apresentou proposta no mesmo sentido. O Projeto de Lei nº 1.698/2025, protocolado no Senado na terça-feira (15/4), propõe criminalizar a indução, instigação ou auxílio à participação de crianças e adolescentes em desafios que representem risco à saúde ou à segurança. As penas previstas no PL podem chegar a 12 anos de prisão e multa.





