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Caso Magno Malta: entidades cobram apuração sem interferência política
Entidades que representam enfermeiros farão uma manifestação nesta sexta-feira (8/5), após técnica denunciar Magno Malta por agressão
atualizado
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Após o caso da acusação de agressão do senador Magno Malta (PL-ES) a uma técnica de enfermagem, a Associação Brasileira de Enfermagem Seção Distrito Federal (ABEn-DF) e o Sindicato dos Enfermeiros do Distrito Federal marcaram uma manifestação para esta sexta-feira (8/5).
O objetivo é “denunciar a crescente violência contra profissionais de enfermagem”, segundo as entidades. O evento está marcado para começar às 7h30, em frente ao hospital DF Star, onde a agressão teria ocorrido no dia 30 de abril.
“A mobilização ocorre após a denúncia de agressão física e verbal sofrida por uma técnica de enfermagem da unidade. As entidades organizadoras destacam que o episódio não é um caso isolado, mas parte de um cenário preocupante de intensificação das violências no ambiente de trabalho da saúde”, diz trecho da nota das entidades.
O ato também quer dar “visibilidade à gravidade do problema, manifestar solidariedade à profissional agredida e exigir providências imediatas das autoridades, especialmente a apuração rigorosa e independente do caso envolvendo o senador Magno Malta, sem qualquer tipo de interferência política”.
Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPE-DF), entre 2024 e 2025, mais de 69% das profissionais de enfermagem afirmaram que já sofreram algum tipo de violência no exercício de suas funções.
O hospital informou que abriu apuração administrativa sobre o caso. A técnica de enfermagem está afastada do trabalho por orientação de médico particular, segundo a unidade de saúde.
Repúdio
Parlamentares da área da saúde se pronunciaram em solidariedade à profissional e repudiando o caso. A deputada distrital Dayse Amarilio (PSB) disse que “violência contra trabalhador não pode ser normalizada”. “Porque quem vive a realidade dos hospitais sabe: muitas agressões acontecem longe das câmeras. E profissionais da saúde, principalmente mulheres, enfrentam desrespeito, humilhação e violência todos os dias”, declarou a deputada.
“Agora o caso ganhou repercussão porque envolve um senador. Mas quantas trabalhadoras anônimas passam por isso em silêncio por medo de perder o emprego, o sustento e a dignidade dos filhos? Toda minha solidariedade à profissional envolvida”, disse Dayse Amarilio.
O deputado distrital Jorge Vianna (Democrata), que foi vice-presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos em Enfermagem do DF (Sindate-DF), também acompanha o caso. “Ter uma profissional de enfermagem sendo agredida, seja verbal ou fisicamente, no seu local de trabalho só prova mais uma vez como a enfermagem é tratada em qualquer nível. Agora, partindo isso de um senador da República, deixa a gente mais indignado. E por mais que ele fale que não deu [o tapa], por mais que ele não assuma isso, está claro que essa menina procurou a delegacia porque ela se sentiu de alguma forma agredida”, declarou.
Entenda
- Segundo a vítima, a agressão ocorreu durante um exame, na última quinta-feira (30/4), mesmo dia em que o boletim foi registrado. O hospital informou que abriu apuração administrativa sobre o caso.
- De acordo com a profissional, o senador estava internado para realizar angiotomografia de tórax e coronárias. Ela era responsável por conduzi-lo até a sala de exames, realizar a monitorização e iniciar os procedimentos, incluindo o teste de acesso venoso com soro.
- No início da injeção de contraste, o equipamento identificou oclusão e interrompeu automaticamente o procedimento. Ao verificar a situação, ela constatou o extravasamento do líquido no braço do paciente.
- Quando a técnica explicou a necessidade de compressão no local, o parlamentar teria reagido de forma agressiva.
Na ocasião, Malta teria se levantado do aparelho e, quando a profissional se aproximou para prestar assistência, o parlamentar desferiu um tapa no rosto dela, chegando a entortar seus óculos, além de chamá-la de “imunda” e “incompetente” – ambas as situações negadas pelo senador. - Uma testemunha contou aos investigadores que não presenciou o tapa no rosto, mas disse que viu a colega logo após a situação e citou que o óculos dela estariam tortos – o que, segundo a vítima, teria sido consequência da ação de Magno Malta.
O outro lado
Nas redes sociais, o senador negou as agressões. “Vocês me conhecem. Eu nunca encostei a mão em ninguém, nem nas minhas filhas, nem em nenhuma mulher. Isso é falsa comunicação de crime”, disse.
O parlamentar também se pronunciou por meio de equipe jurídica, que emitiu nota. No documento, a defesa diz que Malta encontrava-se sob forte medicação, com a cognição comprometida. Nesse contexto, teria reagido ao sofrimento físico – e não à profissional –, acionando imediatamente o médico responsável por seu acompanhamento.








