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Augusto Lima é acusado de blindagem patrimonial por ex-dona do Voiter
Ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima foi acusado de blindagem patrimonial em ação de cobrança de R$ 247 milhões
atualizado
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A família Rezende Barbosa, ex-dona do Banco Voiter, acusou o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima de “blindagem patrimonial“.
Lima e os ex-sócios Daniel Vorcaro e Maurício Quadrado são responsáveis pela fiança solidária no negócio de emissão de debêntures no valor de R$ 470 milhões para a DV Holding. Eles são alvos da cobrança de R$ 247 milhões protocolada no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) em dezembro de 2025.
No caso de Augusto Lima, os autores da ação apontaram que o empresário organiza o patrimônio por meio de pessoas jurídicas que “servem como escudos patrimoniais para ativos imobiliários”.
Segundo o relato feito à Justiça de SP, a sociedade AC3 Cobranças e Participações, criada em 2019, teve capital majorado para R$ 6 milhões, com integralização de uma casa de veraneio e um apartamento na Bahia.
Em dezembro de 2019, Augusto Lima e a ex-esposa doaram às filhas todas as quotas, retirando-se da sociedade. A doação ocorreu mediante reserva do usufruto vitalício dos direitos políticos e econômicos dos sócios retirantes.
Um ano depois, em dezembro de 2020, o empresário abriu a Lothian Participações Ltda, com capital social de R$ 2 milhões.
“A utilização das referidas empresas, e uso de manobras societárias para distanciar a propriedade direta do Sr. Augusto dos ativos imobiliários – mas ainda assim permanecendo na administração e controle das pessoas jurídicas – configura a blindagem patrimonial que beneficia o executado e que, mesma que praticada no passado, repercute efeitos atualmente impedindo que se atinja os ativos que, a toda evidência, permanecem sob controle indireto e uso do Executado”, disseram os autores.
As acusações foram feitas em abril de 2025, quando a empresa pediu o bloqueio de R$ 470 milhões dos sócios do Master e da DV Holding Financeira. Como mostrou o Metrópoles, no dia 29 de abril, 22ª Vara Cível do TJSP autorizou o bloqueio dos valores nas contas dos executivos.
No caso de Augusto Lima, R$ 112 milhões – maior parte do dinheiro encontrado pela Justiça – estavam em conta na Reag, fundo liquidado pelo Banco Central na quinta-feira (15/1). O fundo é investigado pela Polícia Federal no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero. Segundo nota do Banco Central, a decretação da liquidação extrajudicial da Reag é motivada por “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”.
O bloqueio na conta dos ex-sócios do Master durou oito dias e foi encerrado no mês de maio de 2025. Depois, as partes fechara um acordo e houve pagamento de parte dos valores. Em dezembro, porém, os credores denunciaram a inadimplência e pediram novo bloqueio de bens.
Voiter
O Banco Voiter foi vendido ao Banco Master em 2024. Os então sócios emitiram as debêntures para capitalização do Master.
Augusto Lima saiu do Master e comprou o Voiter. O Banco Central autorizou o negócio em julho de 2025. O Voiter foi rebatizado de Banco Pleno.
Investigação
Augusto Lima, Vorcaro e outros executivos do Master foram presos na primeira fase da investigação, em novembro de 2025. A PF investiga os negócios supostamente fraudulentos do Master com o Banco de Brasília (BRB) e fundos de investimento.
Procurada, a defesa de Augusto Lima não quis se pronunciar.
