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Área técnica do TCU aponta indícios de uso da ABDI para atividades pessoais do presidente

A área técnica do TCU, porém, opinou pelo indeferimento da medida cautelar para suspensão do contrato de R$ 8 milhões

atualizado

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Empresas Ricardo Cappelli
1 de 1 Empresas Ricardo Cappelli - Foto: Reprodução

A área técnica do Tribunal de Contas da União (TCU) se manifestou a favor do conhecimento da representação que aponta suposto desvio de finalidade e uso indevido de recursos públicos para promoção pessoal do presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Ricardo Cappelli. Ele é pré-candidato a governador do Distrito Federal pelo PSB.

A 4ª Diretoria apresentou a manifestação na quinta-feira (11/12). A unidade técnica sugeriu à Corte conhecer a representação e dar 15 dias para a ABDI se pronunciar sobre os indícios de desvio de finalidade na utilização do contrato para promoção pessoal. O pronunciamento foi encaminhado para o gabinete do relator, ministro Bruno Dantas, que deve elaborar o voto e encaminhar o processo para apreciação do Plenário da Corte. Não há prazo para que isso ocorra, segundo o tribunal.

A representação de autoria do deputado distrital Daniel de Castro (PP) afirma que, após a posse de Cappelli na ABDI, a agência teria passado a utilizar contrato de publicidade para ações relacionadas à promoção pessoal do presidente. Segundo o parlamentar, o contrato recebeu aditivo de 25%, chegando ao valor total de R$ 8,1 milhões, “sem que constassem nos autos justificativas técnicas”, e logo depois foram criados sites e perfis pessoais de Cappelli.

Ao analisar a denúncia do parlamentar, a 4ª Diretoria da Unidade de Auditoria Especializada em Contratações do TCU disse ter constatado “existência de indícios de desvio de finalidade na execução do Contrato 25/2022, especialmente em razão da ausência de justificativa técnica para o aditivo, do uso da estrutura da ABDI para atividades pessoais do presidente, da gestão de impulsionamentos por servidores e terceirizados e da natureza política do conteúdo promovido”.

A área técnica do TCU, porém, opinou pelo indeferimento da medida cautelar de suspensão do contrato.

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Ricardo Cappelli
Ao longo das 224 páginas, Cappelli conta como tentou restabelecer a ordem por meio de suas decisões durante os 23 dias em que foi interventor da Segurança Pública no DF
Presidente da ABDI, Ricardo Cappelli
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Ao longo das 224 páginas, Cappelli conta como tentou restabelecer a ordem por meio de suas decisões durante os 23 dias em que foi interventor da Segurança Pública no DF
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Ao longo das 224 páginas, Cappelli conta como tentou restabelecer a ordem por meio de suas decisões durante os 23 dias em que foi interventor da Segurança Pública no DF

Kebec Nogueira/Metrópoles

A representação do deputado diz que foram registrados 798 impulsionamentos entre agosto de 2024 e outubro de 2025, com custo estimado entre R$ 156 mil e R$ 220 mil, “voltados majoritariamente à divulgação de conteúdo pessoal e político” de Cappelli. Sobre esse ponto específico, a área técnica do TCU afirmou que “conteúdo é predominantemente político, opinativo e voltado à imagem pessoal do dirigente, sem relação com a comunicação institucional da ABDI”.

Segundo o órgão, ainda que os pagamentos tenham sido efetuados pelas plataformas digitais e não diretamente pela ABDI, a gestão operacional dos anúncios realizada inicialmente por servidor público e por terceirizado “indica utilização da estrutura administrativa e terceirizada da agência para fins pessoais”.

A unidade técnica do tribunal afirmou que, se forem confirmados, os fatos “podem caracterizar, além de violação aos princípios da administração pública, possível malversação de recursos, nos termos dos arts. 70 e 71 da Constituição Federal, constituindo ainda atos de improbidade administrativa, a ser julgado no foro competente, se for o caso”.

O que diz o presidente da ADBI

Ricardo Cappelli afirmou que “ABDI ampliou muito suas atividades finalísticas e sua presença nos veículos de comunicação”. “Isso é público e notório, com farta comprovação através de matérias nos veículos de comunicação”, disse.

O presidente da ABDI informou, porém, que a comunicação pessoal dele “não tem qualquer vínculo com a comunicação da ABDI”.

“Esta representação foi apresentada por um deputado distrital da base de Ibaneis-Celina. É a mão oculta do Buriti operando contra seus adversários. Estão desesperados porque já perceberam que serão derrotados”, declarou.

 

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