Pela lógica do ministro Queiroga, deveríamos festejar o gol de Oscar nos 7×1 da Alemanha

Os 600 mil mortos na pandemia dariam para lotar de cadáveres os 10 maiores estádios do futebol brasileiro

atualizado 09/10/2021 11:14

ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, me coletiva de imprensa de apresentação do cronograma de vacinação da Covid-19 para 2022Igo Estrela/Metrópoles

Na pior tragédia de saúde pública da história, o Brasil superou oficialmente os 600 mil mortos por covid-19. É o segundo maior volume de vítimas no mundo, em números absolutos, atrás apenas dos Estados Unidos.

Mas, nesta sexta-feira, ao ser questionado pelo Metrópoles,  o ministro da Saúde Marcelo Queiroga buscou relativizar os números, comparando-os com os de outras doenças: “Só do coração são 380 mil [mortes] todos os anos”.

Inacreditável ouvir tamanha estupidez da boca de um médico. É como se o ministro estivesse buscando motivos até para festejar o “bom trabalho” que o  governo Bolsonaro vem fazendo no combate ao vírus. E não há absolutamente nada a comemorar, em meio a uma tragédia que redimensionou nossos valores como seres humanos e que nos mostrou a exata medida de nossa fragilidade. 

É o mesmo que “festejar” pelos homens, mulheres e crianças que escaparam do Holocausto – uma ação sistemática de extermínio -, outra tragédia que tirou a vida de 6 milhões de judeus, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Nessa pandemia, morreram 600 mil brasileiros e o nosso ministro da Saúde acha que está tudo bem. Isso daria para lotar de cadáveres os 10 maiores estádios brasileiros:

1)- Maracanã: 78 mil

2)- Mané Garrincha: 72 mil

3)- Morumbi: 72 mil

4)- Mineirão: 61 mil

5)- Arena do Grêmio: 60 mil

6)- Arrudão: 60 mil

7)- Beira Rio: 56 mil

8)- Castelão: 50 mil

9)- Neo Química Arena: 49 mil

10- Allianz Parque: 45 mil

TOTAL: 603 mil

Em julho último, completou-se  7 anos do maior vexame que o futebol brasileiro sofreu em toda sua história. Ninguém poderia um dia sonhar que o Brasil seria humilhado  na semifinal de uma Copa do Mundo. Mas, pela lógica do ministro Marcelo Queiroga, deveríamos comemorar o gol que fizemos e não lamentar os 7 que sofremos da Alemanha.

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