Pela lógica do ministro Queiroga, deveríamos festejar o gol de Oscar nos 7x1 da Alemanha
Os 600 mil mortos na pandemia dariam para lotar de cadáveres os 10 maiores estádios do futebol brasileiro

Na pior tragédia de saúde pública da história, o Brasil superou oficialmente os 600 mil mortos por covid-19. É o segundo maior volume de vítimas no mundo, em números absolutos, atrás apenas dos Estados Unidos.
Mas, nesta sexta-feira, ao ser questionado pelo Metrópoles, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga buscou relativizar os números, comparando-os com os de outras doenças: “Só do coração são 380 mil [mortes] todos os anos”.
Inacreditável ouvir tamanha estupidez da boca de um médico. É como se o ministro estivesse buscando motivos até para festejar o “bom trabalho” que o governo Bolsonaro vem fazendo no combate ao vírus. E não há absolutamente nada a comemorar, em meio a uma tragédia que redimensionou nossos valores como seres humanos e que nos mostrou a exata medida de nossa fragilidade.
É o mesmo que “festejar” pelos homens, mulheres e crianças que escaparam do Holocausto – uma ação sistemática de extermínio -, outra tragédia que tirou a vida de 6 milhões de judeus, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
Nessa pandemia, morreram 600 mil brasileiros e o nosso ministro da Saúde acha que está tudo bem. Isso daria para lotar de cadáveres os 10 maiores estádios brasileiros:
1)- Maracanã: 78 mil
2)- Mané Garrincha: 72 mil
3)- Morumbi: 72 mil
4)- Mineirão: 61 mil
5)- Arena do Grêmio: 60 mil
6)- Arrudão: 60 mil
7)- Beira Rio: 56 mil
8)- Castelão: 50 mil
9)- Neo Química Arena: 49 mil
10- Allianz Parque: 45 mil
TOTAL: 603 mil
Em julho último, completou-se 7 anos do maior vexame que o futebol brasileiro sofreu em toda sua história. Ninguém poderia um dia sonhar que o Brasil seria humilhado na semifinal de uma Copa do Mundo. Mas, pela lógica do ministro Marcelo Queiroga, deveríamos comemorar o gol que fizemos e não lamentar os 7 que sofremos da Alemanha.
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