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Futebol ETC

Comparamos as séries de Maradona e Pelé no streaming: foi 7x1 pra eles

É como diz um velho ditado: “os argentinos odeiam amar o Brasil e os brasileiros amam odiar a Argentina”

01/11/2021 17:50, atualizado 01/11/2021 18:09
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Reprodução/Instagram @pele
Maradona e Pelé

A coluna Futebol Etc maratonou neste final de semana para ver “Maradona: A Conquista de um Sonho”, na Amazon Prime Video. O script é bem parecido com o de jovens brasileiros que também superaram a pobreza e viraram superstars do futebol mundial.

Quase instantaneamente  fizemos uma comparação com o filme “Pelé”, lançado no começo do ano pela Netflix.

Em “A Conquista de um Sonho”, o jogador é interpretado por três atores em fases diferentes de sua vida.  No filme de Pelé não tem atores. Foram colhidos depoimentos de jornalistas e políticos, e o próprio Pelé é protagonista. Amparado por um andador, ele senta-se em uma sala vazia e viaja no tempo, relembrando sua trajetória.

Maradona levava uma vida regada a drogas, sexo e escrutínio público. Ele jogava com suas próprias regras, independentemente das consequências. O roteiro recebeu a aprovação do próprio Maradona antes de sua morte e ressalta o estilo generoso, divertido e despreocupado do jogador. Por tudo isso, Maradona é mais ídolo e mais amado em seu País do que Pelé no Brasil.

Além do fascínio que levaram ao mundo do futebol, há um outro detalhe em comum entre as obras de Maradona e Pelé: eles viveram (e sofreram) intensamente os períodos de ditaduras militares, na Argentina e no Brasil. O filme de Pelé mostra como o sucesso nas copas alavancou o orgulho dos brasileiros. Mas esperava-se  um posicionamento mais firme do jogador em relação à ditadura militar no país. De alguma forma eles tentam associar Pelé ao general Garrastazzu Médici.

Um outro detalhe me chamou a atenção: o péssimo relacionamento de Pelé com o dublê de jornalista/treinador  João Saldanha, que chegou barrar o Rei, sob o argumento que ele estava ruim da vista, estava ficando cego. “Saldanha não entendia nada de futebol”, desabafou Pelé.

Se a gente considerar que os argentinos sabem fazer cinema muito melhor do que nós, é fácil chegar à conclusão que a obra sobre Maradona é bem superior à do Rei.

Mas isso não significa dizer que Maradona foi melhor do que Pelé. Muito pelo contrário.