
Fabio SerapiãoColunas

Prefeito preso disse em ligação que ministro do STJ vazou operação
Político do Tocantins foi preso pela PF na Operação Sisamnes, que investiga venda de sentença e vazamento de informações no STJ
atualizado
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O prefeito de Palmas (TO), Eduardo Siqueira Campos (Podemos), preso por vazamento de informações em inquéritos do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ocupou os cargos de senador, deputado federal e estadual e foi alvo de outras operações antes de ser preso pela Polícia Federal (PF) nesta sexta-feira (27/6).
Siqueira Campos foi preso por suspeita de participar de um grupo envolvido no vazamento de informações sigilosas de inquéritos da Polícia Federal.
Ele foi preso na nova fase da Operação Sisamnes, que investiga a venda de sentenças no Superior Tribunal de Justiça, após aparecer em conversas sobre o vazamento de informações de inquéritos sigilosos da PF que tramitam no STJ.
Como mostrou a coluna de Mirelle Pinheiro, em um dos diálogos, o prefeito de Palmas diz ter recebido informações de um ministro do STJ pouco tempo antes de uma operação ser deflagrada.
No diálogo com o advogado Thiago Marcos Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador Wanderlei Barbosa (Republicanos), o prefeito afirma que o ministro João Otávio de Noronha, do STJ, teria lhe passado informações antecipadas sobre uma operação da PF deflagrada em 2010. O ministro nega o vazamento.
“Esse Noronha, há 15 ou 18 anos, ele me chamou em Brasília e falou para mim: ‘Siqueira, só para avisar ao teu pai que vão ser afastados quatro desembargadores’”, disse o prefeito agora preso na mensagem.
A operação citada por ele era a Maet, deflagrada em dezembro de 2010, e o relator do caso era o mesmo ministro, João Otávio de Noronha, citado por Siqueira Campos.

No caso da Sisamnes, o prefeito passou a ser investigado depois de a PF encontrar mensagens no celular de um desembargador do Tribunal de Justiça do Tocantins que indicavam o recebimento de informações sobre uma operação realizada em 2024.
O envio de informações avisando sobre a ação da PF teve origem, diz a PF, no sobrinho do atual governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa, chamado Thiago Barbosa.
Foi no celular dele que a PF encontrou as conversas com Siqueira Campos.
“Ainda, a representação apresenta gravação de ligações entre Thiago Barbosa e Eduardo Siqueira Campos, tratando sobre informações sigilosas referentes às operações Fames-19 e Maximus, com detalhes que, na visão da autoridade policial, indicam conhecimento detalhado de informações sigilosas referentes aos inquéritos em trâmite”, diz trecho da decisão da fase anterior da Sisamnes.
Siqueira Campos também já foi alvo de ao menos outras duas operações da PF.
Uma delas, a Acrônimo, apurava a atuação de um grupo ligado ao ex-ministro em governos petistas, como o de Fernando Pimentel. Ele chegou a ser levado a depor nesse caso em 2016, após ser citado em uma delação como destinatário de propina.
O prefeito também foi citado na Operação Ápia, que apurou um esquema de propina em uma agência estadual do Tocantins.
