
Fabio SerapiãoColunas

PF investiga repasses de R$ 1 milhão de deputado para hospital no RS
Mensagens mostram assessor de deputado federal e intermediário do hospital falando de suposta propina por liberação
atualizado
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A Polícia Federal investiga três repasses de verbas federais indicadas pelo deputado Afonso Motta (PDT-RS) ao hospital Ana Nery, em Santa Cruz do Sul, no Rio Grande do Sul.
De acordo com dados da investigação, dois repasses foram por meio de emendas. Um em 28 de novembro de 2023, de R$ 200 mil, e outro no mesmo valor no dia seguinte, em 29 de novembro.
Ainda segundo a PF, há ainda um terceiro repasse de R$ 670 mil em “recursos discricionário RP2”.
Como mostrou a coluna, Lino Furtado, assessor de Afonso Motta, é um dos alvos da operação Emendafest, deflagrada pela PF nesta quinta (13/2), e que mira desvios de emendas destinadas ao hospital Ana Nery.
A PF encontrou conversas entre Furtado e Cliver Fiegenbaun, que seria um captador de recursos do hospital.
Segundo a PF, um áudio enviado na conversa é revelador e indica que o assessor do parlamentar receberia valores de Cliver relacionados a emendas.
“Os pequenos eu posso complementar e botar mais 10 em cima. Pra tu confiar na parceria e eu quero continuar com a tua parceria ano que vem”, diz Cliver em aúdio em 10 de janeiro do ano passado.
Ainda no áudio, ele afirma que era “400, faltou 15, te levo mais, mais 25”.
Os repasses, segundo o áudio, era para não “estragar a parceria”.
“Isso eu tenho do meu, aí eu nem envolvo ninguém, porque eu não quero estragar a parceria e tu vai ver que nós não vamos ratear contigo”, diz Cliver em áudio
Para a PF, o áudio mostra que a parceria entre os dois, firmada em 2023 com a promessa de envio de emendas, “executada (e em andamento) em 2024, estaria com a promessa de continuar no ano seguinte, ou seja, em 2025.”
Defesa
A coluna entrou em contato com Cliver Fiegenbaum, que confirmou a cláusula de comissão de 6%, mas negou qualquer tipo de irregularidade na prestação de serviços.
Ele disse que foi pego de surpresa com as acusações de que estaria envolvido com propina.
“Eu acho que o termo usado, propina, não está correto. O contrato é público, tem emissão de nota fiscal, declaração de imposto de renda. Ele é a título de compensação de trabalho. Eu realmente estou surpreso por esse termo de propina”, afirmou.
Segundo ele, seu trabalho se resumia em conversar com deputados para apresentar as necessidades do hospital, na intenção de que fossem liberadas emendas.
Ele diz que no momento oportuno, irá disponibilizar as suas contas e de sua empresa para que a investigação possa comprovar que não houve irregularidades na prestação do serviço ao hospital.
“Volto a insistir: não teve negociação nenhuma com deputado”, afirma.
Cliver também disse que não mantinha nenhuma relação pessoal com Lino e que o conheceu “na andança de procurar deputados” e que falava com ele durante suas visitas a Brasília sobre a necessidade de emendas para o hospital.
Em nota, o hospital Ana Nery disse que a instituição tomou conhecimento “com surpresa” da operação EmendaFest e que, desde então, tem colaborado com as autoridades, ” fornecendo prontamente todos os documentos solicitados e colocando-se à disposição para contribuir com o esclarecimento dos fatos”.
“O Hospital Ana Nery reitera seu compromisso com a ética e a legalidade e seguirá colaborando com as investigações para que sejam conduzidas com a máxima celeridade e transparência”, afirmou.
















