Fabio Serapião

Grupo criminoso de russos bancava espião no Brasil, apura MPF

Após PF mapear depósitos de funcionários do governo russo para espião, servidor do corpo diplomático russo deixou Brasil

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A Polícia Federal (PF) mapeou como integrantes do corpo diplomático da Rússia no Brasil repassavam valores para um espião atualmente preso após usar documentos falsos para entrar na Holanda.

Serguei Cherkasov está preso no Brasil desde 2022, quando tentou utilizar documentos brasileiros falsos para conseguir uma vaga de emprego no Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda. Ele se valia de uma identidade nacional em nome de Victor Muller Ferreira.

Como mostrou o Metrópoles, o Ministério Público Federal arquivou a investigação sobre espionagem contra Cherkasov aqui no Brasil.

Quebras de sigilo bancário e documentos encontrados no celular do russo, segundo o Ministério Público Federal (MPF), indicam possível crime de lavagem de dinheiro, mostrando como ele recebia dinheiro de funcionários do governo russo aqui no Brasil e como se dava a comunicação entre o espião e seus superiores.

Funcionários consulares da Rússia no Brasil
Funcionários consulares da Rússia no Brasil que efetuaram os depósitos

Para o MPF, a atuação dos funcionários do governo russo custeando o espião indica um “possível grupo criminoso estruturado, com suposta participação de cônsules russos, a partir do Rio de Janeiro voltado à criação e manutenção de falsos documentos, para que seus integrantes pudessem migrar para outros países a partir de contextos que não levantem suspeitas às autoridades estrangeiras”.

“Pelo que se constata das investigações, Sergey Vladimirovich Cherkasov, ao que parece, é tão somente um agente entre possíveis outros”, afirma o MPF.

Como a atuação dos funcionários do governo russo se deu no Rio de Janeiro, o MPF, ao arquivar a ação pela suposta prática de espionagem, enviou o caso sobre lavagem de dinheiro e os servidores russos para a Procuradoria fluminense.

A partir da quebra do sigilo bancário de Cherkasov, os investigadores descobriram que ele recebeu cerca de R$ 90 mil por meio de depósitos fracionados em valores inferiores a R$ 2 mil.

“Tal estratégia, clara tipologia de lavagem de dinheiro, é utilizada para que a identificação do depositante fosse dispensada pelos bancos”, diz o MPF.

Para entender a origem dos valores, a PF pediu à agência em que os depósitos foram feitos as imagens do circuito de câmeras de segurança.

“Assim, a referida instituição financeira forneceu imagens das câmeras de segurança de seus caixas eletrônicos do dia 7 de fevereiro de 2022, mediante as quais se pode constar que os depósitos foram realizados por Ivan Chetverikov e, possivelmente, por Aleksei Matveev, ambos funcionários consulares russos”, diz o MPF.

A PF chegou a intimar o funcionário do governo russo Ivan Chetverikov, mas, após o contato, o governo russo informou que ele deixou o Brasil “por razões de serviço”.

Os investigadores também ouviram o dono de uma agência de turismo no Rio de Janeiro que teria viabilizado, a pedido de funcionários do governo russo, o repasse de outras quantias para Cherkasov.

De acordo com o dono da agência, os repasses feitos por ele para o espião ocorreram a pedido dos diplomatas Oleg Sotnikov, Maxim Vasiliev e Mikhail Gruzdev e dos cônsules Evgeny Noskiv e Petr Kozhushkin.

Segundo o dono da agência, os valores em dólares eram entregues em almoços marcados pelos russos, que diziam que o dinheiro era enviado pelo pai de “Victor Muller Ferreira” para custear seus estudos.

“Os russos respondiam apenas que ‘o amigo Lelio nunca terá problemas’. Poucas vezes os pagamentos foram em reais brasileiros, sendo a maioria em dólares norte-americanos”, disse o dono da agência sobre o receio com o tipo de repasses.

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Prints de documento que trata de espião russo preso no Brasil
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